sábado, 25 de dezembro de 2010

O Heliocentrismo de Nicolau Copérnico

Algumas pessoas tornam-se heróis contra sua própria vontade. Mesmo que elas tenham ideias realmente (ou potencialmente) revolucionárias, muitas vezes não as reconhecem como tais, ou não acreditam no seu próprio potencial. Divididas entre enfrentar sua insegurança expondo suas ideias à opinião dos outros, ou manter-se na defensiva, elas preferem a segunda opção. O mundo está cheio de poemas e teorias escondidos no porão.

Copérnico é, talvez, o mais famosos desses relutantes heróis da história da ciência. Ele foi o homem que colocou o Sol de volta no centro do Universo, ao mesmo tempo fazendo de tudo para que suas ideias não fossem difundidas, possivelmente com medo de críticas ou perseguição religiosa. Insatisfeito com a falha do modelo de Ptolomeu, que aplicava o dogma platônico do movimento circular uniforme aos corpos celestes, Copérnico propôs que o equante fosse abandonado e que o Sol passasse a ocupar o centro do cosmo. Ao tentar fazer com que o Universo se adaptasse às ideias platônicas ele retornou aos pitagóricos, ressuscitando a doutrina do fogo central, que, como vimos, levou ao modelo heliocêntrico de Aristarco dezoito séculos antes de Copérnico.

Seu pensamento reflete o desejo de reformular as ideias cosmológicas de seu tempo apenas para voltar ainda mais no passado; Copérnico era, sem dúvida, um revolucionário conservador. Ele jamais poderia ter imaginado que, a olhar para o passado, estaria criando uma nova visão cósmica, que abriria novas portas para o futuro. Tivesse vivido o suficiente para ver os frutos de suas ideias, Copérnico decerto teria odiado a revolução que involuntariamente causou.

No Commentariolus (Pequeno Comentário de Nicolau Copérnico sobre suas próprias hipóteses acerca dos movimentos celestes), Copérnico postula que o Sol é o centro da órbita de todos os planetas e, portanto, do Universo; que a Lua, e apenas a Lua, gira em torno da Terra; que a Terra gira em torno de seu eixo; e que a Terra e os outros planetas giram em torno do Sol em órbitas circulares. Com esse arranjo, Copérnico literalmente destruiu a teoria do universo aristotélico, baseado na divisão do cosmo nos domínios sublunar e celeste.

Assistam aos documentários, com Marcelo Gleiser - Poeira do Universo:

Teoria de Copérnico:


Kepler:



Leia o Livro Commentariolus (Pequeno Comentário de Nicolau Copérnico sobre suas próprias hipóteses acerca dos movimentos celestes), no meu Blog na Matéria 400 anos olhando para o céu:
http://hugoleonardohistoriador.blogspot.com/2009/03/400-anos-olhando-para-o-ceu_14.html

Referências:
GLEISER, Marcelo. A Dança do Universo: dos Mitos de Criação ao Big Bang. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

Vídeos: Poeira do Universo - FANTÁSTICO (Rede Globo)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Acelerador de partículas na Suíça registra fenômeno inédito em colisões de prótons

Cientistas que trabalham no maior acelerador de partículas do mundo afirmaram esta terça-feira a descoberta de um fenômeno nunca antes observado em sua busca por elucidar os maiores segredos do universo.

Depois de quase seis meses de exploração do Grande Colisor de Hádrons (LHC), as experiências começam a revelar "sinais de fenômenos potencialmente novos e interessantes", anunciou o Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), em seu site na internet.

Trata-se, particularmente, do fato de que "certas partículas são intimamente ligadas, de uma maneira que nunca foi observada nas colisões de prótons", continuou.

"O novo fenômeno apareceu em nossas análises em meados de julho", disse o físico Guido Tonelli, durante apresentação a colegas cientistas do CERN dos primeiros resultados produzidos pelas colisões de prótons a uma potência de 7 TeV.

Tonelli alertou que os resultados precisam ser confirmados, mas assegurou que os cientistas da equipe que trabalham no detector não conseguiram descartar a existência do novo vínculo.

"Precisamos de mais dados para analisar completamente o que acontece e dar os primeiros passos para uma nova física, um novo mundo que o LHC, esperamos, vai nos permitir descobrir", afirmou.

Com 27 km, o acelerador de partículas é uma estrutura circular construída a 100 metros de profundidade na fronteira franco-suíça, ao custo de US$ 5,2 bilhões.

Com ele, cientistas tentam recriar condições próximas às que produziram o Big Bang, que deu origem ao Universo.

Vejam o acelerador de partículas aqui mesmo no Blog: http://hugoleonardohistoriador.blogspot.com/2010/03/acelerador-de-particulas-bate-recorde.html

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/802384-acelerador-de-particulas-na-suica-registra-fenomeno-inedito-em-colisoes-de-protons.shtml

sábado, 21 de agosto de 2010

Dimensões e Constituição da Galáxia



Inúmeras observações visando realizar novas contagens estelares foram realizadas a partir do século XIX, inclusive com a utilização de recursos fotográficos. O astrônomo holandês Jacobus Cornelius Kapteyn (1851-1922), examinando várias chapas fotográficas com milhares de estrelas, desenvolveu um modelo segundo o qual a Galáxia deveria possuir uma extensão de aproximadamente 55.000 A.L (Anos-Luz). com um volume centenas de vezes superior ao imaginado por Herschel. No início do século XX, estudando a distribuição de aglomerados globulares no céu, o astrônomo americano Harlow Shapley (1885-1922) contatou que o Sol não se encontra no centro da Galáxia, como também imaginava Kapteyn, mas a cerca de 50.000 A.L. dele. Calculou sua extensão em aproximadamente 200.000 A.L. Com a descoberta da presença de poeira no espaço interestelar, em 1930, verificou-se que a distância do Sol ao centro da Galáxia e suas dimensões haviam sido superestimadas por Shapley, possuindo valores da ordem de 30.000 A.L. e 100.000 A.L. respectivamente.

Os Valores atualmente considerados para a extensão máxima da Galáxia são da ordem de 90.000 A.L. a 110.000 A.L. Sua espessura é de aproximadamente 10.000 A.L. e a distância do Sol ao centro da Galáxia é da ordem de 28.000 A.L. Seus constituintes básicos são as estrelas e a matéria interestelar, constituída por gases e partículas microscópicas de poeira cósmica.

Esta matéria se distribui predominantemente em torno de um plano denominado plano médio da Galáxia, em forma de disco. Estima-se que existem mais de 150 bilhões de estrelas na Galáxia de acordo com os cálculos efetuados para sua massa, que é um pouco superior a este valor, encontra-se parte dela concentrada na forma de gás e poeira interestelar.


Galáxia observada da direção de seu plano médio.

Os valores citados anteriormente são ainda os mais utilizados, porém modelos desenvolvidos a partir de meados da década de 1970 sugerem que as dimensões e a massa da Galáxia possam ter valores até dez vezes superiores. Estes modelos, entretanto, são ainda muito discutidos e envolvem vários problemas de caráter teórico e observacional, não resolvidos completamente.

Estrutura Espiral da Galáxia

A partir de 1951, quando W. W. Morgan e colaboradores estudaram, por meios ópticos, aglomerados jovens de estrelas e o gás interestelar, surgiram evidências sobre a Galáxia ter uma estrutura espiral. Novas indicações deste fato foram obtidas através de observações radioastronômicas, particularmente as efetuadas na linha de comprimento de onda de 21 cm do Hidrogênio neutro existente na Galáxia.

Atualmente consideram-se a existência de pelo menos três braços espirais na Galáxia, num dos quais se encontra o Sol, necessitando-se ainda, entretanto, conhecer mais detalhes sobre os mesmos e sua distribuição. É nos braços espirais que se concentra a maior parte da matemática existente na Galáxia. Vejam o vídeo sobre a Via Láctea:

http://hugoleonardohistoriador.blogspot.com/2009/06/video-via-lactea.html#comments

Fontes:

FARIA, Romildo Póvoa (org.). Fundamentos de Astronomia. 3ª ed. Campinas, SP: papirus, 1987.

Internet: http://www.emefnewtonreis.kit.net/sistemasolar.htm Acesso em 21/08/2010

Via Láctea Vídeo - http://hugoleonardohistoriador.blogspot.com/2009/06/video-via-lactea.html#comments

Assistam ao vídeo:

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Uma classificação dos mitos de Criação

MITO DA CRIAÇÃO YORUBA

Conforme vimos antes, a restrição fundamental que devemos enfrentar quando tentamos entender a origem de “tudo” é a limitação imposta pela nossa percepção bipolar da realidade; o processo ou entidade responsável pela Criação tem necessariamente que criar ambos os opostos, estando, portanto, além dessa dicotomia. A solução encontrada para esse problema pela várias culturas é essencialmente religiosa, veja no meu blog sobre os Mitos de Criação: http://hugoleonardohistoriador.blogspot.com/2010/02/os-mitos-da-expansao-do-universo.html. A solução encontrada para esse problema pelas várias culturas é essencialmente religiosa. Em geral, todas as culturas assumem a existência de uma realidade absoluta, ou simplesmente de um absoluto, que não só abrange como transcende todos os opostos. Esse Absoluto é o elemento central na estrutura de todas as religiões, dando assim um caráter religioso aos mitos de criação. O Absoluto, então, incorpora em si a síntese de todos os opostos, existindo por si só, independente da existência do Universo. Ele não tem uma origem, já que está além de relações de causa e efeito. Esse Absoluto pode ser Deus, ou o domínio de vários deuses, ou o Caos Primordial, ou mesmo o Vazio, o Não-Ser.

Por outro lado, vivemos na nossa realidade polarizada, de onde tentamos compreender a essência do Absoluto. A ponte que estabelece a relação entre o Absoluto e a realidade é o mito de criação. Em outras palavras, através de seus mitos as religiões proclamam sua realidade, relacionando o compreensível ao incompreensível. O processo de criação do universo envolve sempre a distinção entre os apostos, a desintegração da união existente no Absoluto que gera a polarização inerente à realidade.

Quais são, então, as respostas dadas pelas várias culturas “À Pergunta”? O simbolismo utilizado por uma cultura na narração de seus mitos nunca é tão expressivo quanto nos seus mitos de criação.

Veja: http://www.jornalinfinito.com.br/materias.asp?cod=49

Fonte:

GLEISER, Marcelo. A Dança do Universo: dos Mitos de Criação ao Big Bang. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

Assistam ao vídeo:


terça-feira, 27 de julho de 2010

Uma supernova desencadeou a formação do nosso Sistema Solar?

Onda de choque de uma estrela que explodiu há 4,5 bilhões de anos parece ter começado o colapso da nuvem molecular que formou o Sol e nossos vizinhos

por John Matson

Uma estrela morre, outra nasce. Os restos mortais das antigas se tornam parte das novas. Esse é o ciclo astronômico de vida, o motivo pelo qual as estrelas têm evoluído através dos tempos. Cada geração incorpora novos elementos sintetizados nas estrelas que vieram antes. Ao contrário das primeiras estrelas de hidrogênio e hélio, as estrelas de hoje contém elementos mais pesados que suas antecessoras, como carbono, ferro e oxigênio, aumentando assim a taxa de metalicidade.

Além de produzir muitos dos elementos que compõem nosso planeta e nossos corpos, o ciclo estelar de nascimento e morte parece ter estimulado a formação de nosso Sistema Solar há cerca de 4,5 bilhões de anos. De acordo com novo modelo descrito em estudo na edição de 1 de julho do
Astrophysical Journal Letters, uma onda de choque de uma estrela massiva que explodiu provavelmente provocou o colapso da nuvem molecular que se tornaria o nosso Sol e planetas vizinhos

Pesquisadores localizaram as impressões digitais de radioisótopos de vida curta. Para estes serem incorporados no Sistema Solar primordial, deve ter ocorrido um cataclisma nas proximidades, algo como uma explosão estelar conhecida como supernova.

Alguns pesquisadores levantaram a hipótese de que os radioisótopos de curta duração podem ter chegado a uma onda de choque forte o suficiente para o colapso da nuvem pressolar, injetando assim material recém-sintetizado no sistema.

“Modelos anteriores não conseguiram liberar material suficiente para estimular o nascimento do Sistema Solar”, diz o co-autor Alan Boss, astrofísico teórico da Instituição Carnegie de Washington. Durante anos ele tentou resolver o mistério da formação do Sistema Solar.

Boss aplica a melhor tecnologia para descobrir a resposta, utilizando um sistema de modelagem tridimensional – processo que exige muito mais poder de computação, mas dá pistas para resolver melhor o mistério da formação do Sistema Solar de uma vez por todas. "A Mãe Natureza é a responsável", diz Boss. "Já sabemos quem é o criminoso, mas queremos saber como foi feito!”, brinca ele.

Fonte:

Assistam ao vídeo de uma simulação de Supernova: