
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Astronomia: fascínio e praticidade

sábado, 25 de dezembro de 2010
O Heliocentrismo de Nicolau Copérnico
Algumas pessoas tornam-se heróis contra sua própria vontade. Mesmo que elas tenham ideias realmente (ou potencialmente) revolucionárias, muitas vezes não as reconhecem como tais, ou não acreditam no seu próprio potencial. Divididas entre enfrentar sua insegurança expondo suas ideias à opinião dos outros, ou manter-se na defensiva, elas preferem a segunda opção. O mundo está cheio de poemas e teorias escondidos no porão.
Copérnico é, talvez, o mais famosos desses relutantes heróis da história da ciência. Ele foi o homem que colocou o Sol de volta no centro do Universo, ao mesmo tempo fazendo de tudo para que suas ideias não fossem difundidas, possivelmente com medo de críticas ou perseguição religiosa. Insatisfeito com a falha do modelo de Ptolomeu, que aplicava o dogma platônico do movimento circular uniforme aos corpos celestes, Copérnico propôs que o equante fosse abandonado e que o Sol passasse a ocupar o centro do cosmo. Ao tentar fazer com que o Universo se adaptasse às ideias platônicas ele retornou aos pitagóricos, ressuscitando a doutrina do fogo central, que, como vimos, levou ao modelo heliocêntrico de Aristarco dezoito séculos antes de Copérnico.
Seu pensamento reflete o desejo de reformular as ideias cosmológicas de seu tempo apenas para voltar ainda mais no passado; Copérnico era, sem dúvida, um revolucionário conservador. Ele jamais poderia ter imaginado que, a olhar para o passado, estaria criando uma nova visão cósmica, que abriria novas portas para o futuro. Tivesse vivido o suficiente para ver os frutos de suas ideias, Copérnico decerto teria odiado a revolução que involuntariamente causou.

No Commentariolus (Pequeno Comentário de Nicolau Copérnico sobre suas próprias hipóteses acerca dos movimentos celestes), Copérnico postula que o Sol é o centro da órbita de todos os planetas e, portanto, do Universo; que a Lua, e apenas a Lua, gira em torno da Terra; que a Terra gira em torno de seu eixo; e que a Terra e os outros planetas giram em torno do Sol em órbitas circulares. Com esse arranjo, Copérnico literalmente destruiu a teoria do universo aristotélico, baseado na divisão do cosmo nos domínios sublunar e celeste.
Assistam aos documentários, com Marcelo Gleiser - Poeira do Universo:
Teoria de Copérnico:
Kepler:
http://hugoleonardohistoriador.blogspot.com/2009/03/400-anos-olhando-para-o-ceu_14.html
GLEISER, Marcelo. A Dança do Universo: dos Mitos de Criação ao Big Bang. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
A Igreja tentou restringir o conhecimento Astronômico

Durante a Idade Média, percebemos que o conhecimento andou perdido. A sabedoria do passado foi esquecida, condenada pela Igreja como paganismo, a raiz de todo mal, segundo a filosofia católica da época. Os conhecimentos Gregos e Romanos foram distorcidos e erroneamente interpretados, seja intencional ou não, por santo Agostinho.
Agostinho é uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente. Agostinho foi muito influenciado pelo neoplatonismo de Plotino. Ele aprofundou o conceito de pecado original dos padres anteriores e, quando o Império Romano do Ocidente começou a se desintegrar, desenvolveu o conceito de Igreja como a cidade espiritual de Deus (em um livro de mesmo nome), distinta da cidade material do homem. Seu pensamento influenciou profundamente a visão do homem medieval. A igreja se identificou com o conceito de "Cidade de Deus" de Agostinho, e também a comunidade que era devota de Deus.
Vivendo como um intelectual pagão, ele tomou uma concubina e se tornou um maniqueísta. Posteriormente se converteu para a Igreja Católica, se tornou um bispo, e se opôs às heresias, como a crença que as pessoas possuem a habilidade de escolher fazer um bem tão forte que poderia merecer a salvação sem receber a ajuda divina.

Para a Igreja as perguntas sobre a Astronomia ou cosmologia eram encontradas na Bíblia. “O Firmamento não é esférico, mas sim retangular”. Vejam o que diz no Livro de Isaías: “Deus estendeu o céus como uma cortina em forma de tenda”. Finalmente, a Terra é retangular ou circular como disco? Depende onde você for consultar na Bíblia.
O motivo pelo qual destas teorias católicas terem se propagados foram as divisões territoriais e da língua falada nos impérios, no século IV; quando inicia a decadência do império Romano, (Império do Oeste – com a língua latim e Oeste – Império Bizantino – com a língua grega), e as corrupções que enfraqueceu a “imponência” do império। Também, o império sofre grandes ataques dos bárbaros, as invasões bárbaras minaram as forças imperiais, já agonizantes, tomando pouco a pouco seus territórios e pondo fim ao Império Romano em 476 d. C.
Em 324, Constantino, o Grande, imperador do Leste, converteu-se ao cristianismo. À medida que o Império Bizantino crescia em força, Constantino tentava retomar o Oeste do domínio das tribos germânicas, disseminando o cristianismo como a nova fé dos romanos e oferecendo apoio às várias comunidades cristãs espalhadas pela Europa. Mesmo depois da queda de Roma, o cristianismo e a Igreja sobreviveram orientados por santo Agostinho e o papa Gregório I (590-604).
Como todos já sabem, a igreja se tornou referência ideológica para a civilização que foi influênciada pelas suas ideias (devoções à religião como remédio para alma e contra os “rituais pagãos dos bárbaros”).
Buscando conter as chamadas ideias bárbaras, a igreja justificava que o barbarismo que corrompia o corpo era o mesmo que corrompia a mente; qualquer apropriação de informação através dos sentidos decerto só poderia levar à corrupção da alma. Os estudos da natureza, como a astronomia, foram considerados conhecimento “pagão”, capaz de derrubar a ideia cristã.
Neste ponto de vista, confesso que gostei, a Igreja dá total crédito e força, mesmo sem intenção, a Astronomia. Esta ideia de que a Astronomia corrompe a “pureza” do catolicismo, se encontra nas próprias palavras de santo Agostinho:
“Agora menciono uma outra forma de tentação ainda mais variada e perigosa. Pois acima da tentação carnal, que se baseia nas delícias e prazeres sensuais – e cujos escravos, ao distanciarem-se de Vós, provocam sua própria destruição – existem também a tentação da mente, que, utilizando-se dos cinco sentidos, motivada por vaidade e curiosidade, realiza experimentos com o auxílio do corpo, em busca de conhecimento e sabedoria [...] Assim, os homens investigam os fenômenos da Natureza – aquela parte da natureza externa aos nossos corpos – mesmo que esse conhecimento não tenha nenhum valor para eles; eles estão interessados apenas na busca do conhecimento, puro e simples [...] Certamente os teatros não me atraem mais, nem tenho interesse em estudar os movimentos celestes”.
O Julgamento de Galileu:
Fontes:
GLEISER, Marcelo. A Dança do Universo: dos Mitos de Criação ao Big Bang. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
KOESTLER, Arthur. The sleepwalkers. Middlesex: Penguin, 1959.
sábado, 14 de março de 2009
400 anos olhando para o céu

Com o nome de Universo de Galileu – Imagens do cosmos da Antigüidade ao telescópio, a exposição propicia uma viagem ao visitante. Começa apresentando a visão mística e poética do céu do Antigo Egito e da Mesopotâmia. Prossegue com a cosmogonia grega, o modelo geocêntrico de Cláudio Ptolomeu (século 2 d.C.) e a astronomia árabe. Outro ponto de parada é o surgimento da teoria heliocêntrica, ou seja, de que a Terra girava em torno do Sol, de Nicolau Copérnico (1473-1543), com o apoio de Galileu e de Johannes Kepler (1571-1630). O fim da viagem descortina Isaac Newton (1642-1727) e sua nova concepção do Universo.
Leia o livro Commentariolus (Pequeno Comentário de Nicolau Copérnico sobre suas próprias hipóteses acerca dos movimentos celestes):
Galileu não inventou a luneta, mas foi quem teve a intuição de apontar o instrumento para o céu e observar os astros. Suas descobertas foram reveladas em um pequeno livro, Mensageiro das estrelas, publicado em 1610, que o transformou em pai da ciência moderna.
A única luneta original que pertenceu a Galileu existe até hoje e é um dos destaques da exposição, que conta com 300 objetos, entre peças arqueológicas, instrumentos científicos, desenhos, pinturas, afrescos, esculturas, relógios astronômicos e atlas celestiais.
Por Graziella Beting (jornalista e tradutora).

