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sexta-feira, 18 de junho de 2010

ASTRONOMIA NA GRÉCIA ANTIGA

Ptolomeu, o último grande astrônomo da escola grega, morreu por volta de 180 d.C., e durante séculos registaram-se poucos progressos.

Foi na Grécia Antiga que a maneira de encarar e interpretar os fenômenos naturais sofreu grande alteração, pois foi ali que o homem passou a desenvolver o conhecimento fundamentalmente em bases racionais.

A importância cultural dos gregos clássicos aparece marcantemente no desenvolvimento que deram à Matemática e à Astronomia. Herdaram dos mesopotâmicos e dos egípcios alguns conchecimentos que se resumiam a algumas regras rudimentares de matemática e na Astronomia, principalmente registros de observações feitas ao longo de séculos.
Tradicionalmente, a história da Astronomia grega tem início com Tales de Mileto (VI século a.C.) que, segundo informações do historiador Heródoto, teria previsto um eclípse do Sol, provavelmente no ano de 585 a.C.

Os Iônicos
Durante o século VI a.C., o comércio entre os vários Estados gregos cresceu em importância, e a ruiqueza gerada levou a uma melhoria das cidades e das condições de vida. O centro das atividades era em Mileto, uma cidade-estado situada na parte sul da Iônia, hoje a costa mediterrânea da Turquia. Foi em Mileto que a rimeira escola de filosofia pré-socrática floresceu. Sua origem marca o início da grande aventura intelectual que levaria, 2 mil anos depois, ao nascimento da ciência moderna.

Tales de Mileto

Natural de Mileto, na Jônia (Ásia Menor), Tales, em sua juventude, realizou viagens ao Oriente (Mesopotâmia e Egito), onde reuniu informações e conhecimentos destes povos. Segundo Aristóteles, Tales defendia a ideia de ser a água uma substância original formadora de todas as coisas. Muitos teoremas matemáticos lhe são atribuídos, mas pouco se conhece a seu respeito nem mesmo havendo certeza de ter deixado algum escrito.
Fonte:
FARIA, Romildo Póvoa (org.). Fundamentos de Astronomia. 3ª ed. Campinas, SP: papirus, 1987.
Assistam ao vídeo sobre Tales de Mileto:

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Qual foi a primeira civilização que se dedicou ao estudo do sistema solar?

Há referências a estudos de fenômenos astronômicos na China, na Índia e no Egito, mas não se sabe exatamente quando teve início a astronomia. Um pesquisador da UFPR fala sobre as observações dos astros feitas pelas civilizações antigas em resposta à dúvida de nossa leitora.
Publicado em 05/01/2010 Atualizado em 05/01/2010

Não se sabe exatamente quando a astronomia começou, mas existem referências a estudos de fenômenos astronômicos na China, na Índia e no Egito. Na cidade de Ur, às margens do rio Eufrates (em torno do qual surgiu a primeira civilização de que se tem notícia, há aproximadamente 3000 a.C.), os sumérios erigiram um zigurate (torre com várias plataformas) dedicado ao deus da Lua, Nanna, e à sua esposa, Ningal. Os babilônios conheciam seis astros importantes: Sol, Lua, Vênus, Mercúrio, Marte e Júpiter. Mas como, para eles, o sete era um número sagrado, deveria haver sete astros no céu, além das estrelas fixas. Eles fizeram observações até descobrir o planeta (‘estrela errante’) Saturno. Em todas as civilizações antigas, havia relações entre os astros e a religião.

Na civilização grega, surgiram problemas astronômicos que não haviam sido estudados por outros povos. Os gregos queriam saber o tamanho real do Sol; a que distâncias estariam o Sol e a Lua da Terra; qual o movimento dos planetas e a que distâncias estariam uns dos outros etc. Por volta de 250 a.C., Eratóstenes mediu indiretamente a circunferência da Terra. Aristarco de Samos (320-250 a.C.) tentou determinar a relação entre as distâncias da Terra à Lua e da Lua ao Sol. O coroamento da astronomia grega deu-se com o trabalho de Ptolomeu (85-165 d.C.). Em sua obra principal, o Almagesto, ele fornece uma grande quantidade de dados empíricos.

A grande influência dos gregos não é ter feito descobertas ou resolvido problemas astronômicos úteis nos dias de hoje, mas tê-los criado. Eles provocaram o início da grande aventura: explicações racionais para os fenômenos naturais, que, em pouco mais de dois milênios, transformariam a espécie humana mais radicalmente do que havia sido feito pela evolução nos 200 milênios anteriores. No prefácio do seu livro Sobre a revolução das esferas celestes, publicado em 1543, Nicolau Copérnico (1473-1543) cita Plutarco (45-125?) e outros autores gregos ao se referir à mobilidade da Terra em torno do Sol.

O zigurate de Ur, com aproximadamente 11 m. Construído entre 2113 e 2096 a.C., é o mais bem conservado dos zigurates da Mesopotâmia




Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/revista-ch-2009/266/qual-foi-a-primeira-civilizacao-que-se-dedicou-ao-estudo-do-sistema-solar

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Bombardeio de meteoritos pode ter estimulado vida na Terra, sugere estudo


Da BBC Brasil 21/05/2009 - 11h20



Quando meteoritos de vários tamanhos bombardearam a Terra há 3,9 bilhões de anos, aquecendo a superfície do planeta e provocando a evaporação de oceanos, elas podem, ao contrário do que muitos cientistas supunham, ter ajudado a estimular o surgimento de vida no planeta, de acordo com um novo estudo da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos.
O novo estudo mostra que o bombardeio teria derretido menos de 25% da crosta terrestre, e que micróbios podem ter sobrevivido em um habitat subterrâneo, isolados da destruição.
E o intenso calor do impacto, segundo o estudo, criou um habitat que estimulou a reprodução de bactérias formadas por uma só célula que são termófilas e hipertermófilas - capazes de sobreviver a temperaturas de 50 a 80 graus Celsius ou de até 110 graus Celsius.


Simulação

A descoberta foi feita através de uma simulação de computador. Como as evidências físicas do bombardeio de asteroides foram apagadas pelo tempo e pela ação de placas tectônicas, os pesquisadores usaram dados das rochas lunares recolhidas pelas missões Apollo, e registro de impacto de meteoros na Lua, Marte e Mercúrio.
"Até sob as condições mais extremas que nós impusemos (na simulação), a Terra não teria sido completamente esterilizada pelo bombardeio", disse Oleg Abramov, um dos autores do estudo.
Ao invés disso, fissuras que expeliam água quente podem ter criado um santuário para esses micróbios que preferem ambientes de calor extremo.
O estudo, publicado na revista "Nature", sugeriu também que a vida na Terra pode ter começado 500 milhões de anos mais cedo do que se pensava.
"Não é pouco razoável sugerir que havia vida na Terra há mais de 3,9 bilhões de anos", disse Stephen Mojzisis, que também participou do estudo. "Nós sabemos de registros geoquímicos que nosso planeta era habitável naquela época."

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

MITOLOGIA - HERA E HERACLES (Hércules)


Outra alusão à seu antigo papel como Grande Deusa, se dá através de sua relação com o herói Heracles (Hércules). Seu nome significa "glória a Hera", e os doze trabalhos que a Deusa lhe impõe simbolizam os doze meses durante os quais o Sol "trabalha" em sua caminhada anual. Enquanto no relato Heracles empreende essas provas não por vontade própria, mas sim por imposição de Hera (em seu papel de Deusa Escura da Lua Minguante), a imagem de servo ou filho-amante da Deusa que o nome de Heracles implica sugere que o antigo ritual em que o Sol que se unia com a Lua Cheia, possivelmente se oculte atrás desse relato. Também, a imagem de Heracles como homem adulto mamando o peito de Hera, tal qual foi encontrado em um desenho de um espelho etrusco, recorda os faraós mamando nos peitos de Ísis em seu papel de filhos-amantes da Deusa.

A lenda que rodeia esse episódio conta que Zeus fez com que Hera caísse adormecida e Hermes colocou Heracles em seu peito, porém, como o herói, que era muito forte, a mordeu e a despertou e, enquanto a Deusa se sacudia, o leite se derramou pelo céu dando origem a Via - Láctea.

História da Astronomia


Texto resumido do livro "O que é Astronomia" de Rodolpho Caniato:

Grande Parte dos nomes, dos significados e lendas sobre as figuras formadas pelas estrelas têm sua origem entre os babilônios. É muito provável que a legendária Torre de Babel tenha sido um misto de templo e observatório.

Em quase todos os povos primitivos os conhecimentos astronômicos foram acumulados pelos sacerdotes. A eles cumpria o dever de observar e “saber” se os astros estavam “propícios”. Assim, junto com o primitivo conhecimento dos astros desenvolveu-se a interpretação do “destino” que os primitivos procuravam adivinhar nas posições e mais tarde no movimento dos astros. Nascia assim a Astrologia, que pode ser muito interessante como curiosidade ou como folclore da Astronomia. Não se deve, entretanto, confundir estas duas coisas.

Tanto a Astrologia e a Astronomia foram durante muito tempo (milênios) privilégio de oráculos e sacerdotes. O conhecimento dos fatos e suas interpretações sempre foram uma poderosa arma de pressão e de opressão. É fácil imaginar o que representava ser o único a saber da aproximação de um eclipse, por exemplo.
Na medida em que o homem se desenvolveu, ele percebeu que a Natureza, especialmente no reino vegetal, tinha um comportamento cíclico.

Às vezes faziam “alto”, isto é, paravam e passavam a fazer “marcha à ré”, para depois parar novamente e retornar seu caminho “à frente”. Coisas com comportamento tão especial por entre as estrelas só podiam ser deuses, e assim foram chamadas.
Os Babilônios tomaram então a iniciativa de transferir os seus deuses para o céu. Esse é um aspecto curioso e aparentemente único. Os deuses com os seus atributos e vontade foram localizados no céu. Daí por diante os babilônios passaram a observá-los diretamente, procurando interpretar suas vontades, tendências e ânimo pelas suas posições e movimentos no céu. Eles passaram mesmo a olhar “face a face” os seus deuses.
É ainda aos babilônios que se deve a criação do zodíaco, divisão do caminho do sol pelo céu em doze regiões, cada uma ocupada por uma figura sugerida pela configuração das estrelas.

PRIMEIROS MODELOS

Os gregos foram os grandes herdeiros modernos da astronomia dos babilônios. Os gregos acrescentaram, porém, a essa Astronomia, os seus deuses, bem como a sua desenvolvida geometria. Disso resultou uma Astrologia com um sabor de ciência em virtude das intrincadas relações de ângulos, triângulos e círculos, coisas que os gregos dominavam. (pág. 16 e 17).

É, porém, por volta de seis séculos antes de nossa era (século VI a.C.) que começaram a surgir as primeiras tentativas teóricas: os primeiros modelos. È entre os gregos, ao que se sabe, que surgem os primeiros argumentos, por exemplo, de que a Terra deveria ser esférica. A idéia de forma esférica da Terra foi introduzida no século VI a.C. por Tales e por seu discípulo Anaximandro.
Seria muito longo enumerar todas as contribuições feitas nesse período do apogeu da Grécia antiga e que foram as peças com que, no início da nossa era, montar-se-ia o grande modelo geocêntrico de Ptolomeu. Há, no entanto, alguns nomes nesse período pelos quais não podemos passar sem fazer, ao menos, rápida menção: Aristarco, Eratóstenes e Hiparco, pelos seus feitos importantes na Astronomia.

UM HEREGE: ARISTARCO

Aristarco propôs um revolucionário modelo heliocêntrico. Heliocêntrico significa um modelo em que o centro era ocupado pelo Sol (Helio) e não pela Terra.
Eratóstenes sabia que em certo dia do ano o sol, ao meio-dia, iluminava o fundo dos poços em Alexandria. Nesse mesmo dia, também ao meio-dia, o Sol não iluminava o fundo dos poços numa cidade ao sul de Alexandria. Medindo essa diferença de inclinação dos raios do Sol, Eratóstenes obteve o ângulo formado pelos fios de prumo dos dois lugares. Mas o fio de prumo é a direção do raio da terra em um lugar. Conhecer o ângulo formado pelos prumos de dois lugares significa conhecer o ângulo formado pelos raios da Terra nesses dois lugares: um ângulo central.

O GRANDE SISTEMA: PTOLOMEU

Todo o conhecimento acumulado pelos gregos sistematizado num só grande sistema montado por Ptolomeu. Isso ocorreu já no século II da nossa era. Ptolomeu foi realmente um grande gênio. Seu conhecimento era enciclopédico, a começar pela matemática, geometria e cartográfica.
Seu grande Sistema do Mundo compreendia a Terra imóvel no centro, envolvia por muitas esferas transparentes. Cada uma dessas esferas era responsável pelo movimento de cada um dos astros a partir do centro, nessa ordem: esfera da Lua, de Mercúrio, de Vênus, do Sol, de Marte, de Júpiter e de Saturno. Depois da esfera de saturno vinha a esfera das estrelas fixas.
Porém, essas esferas não eram suficientes para explicar o movimento irregular dos planetas. Ptolomeu admitiu então que sobre essas esferas não estavam exatamente os planetas. Sobre elas estariam outros centros ao redor dos quais o Planeta fazia outra volta enquanto a esfera girava: os epiciclos.
A ideia dominante no Sistema de Ptolomeu é que todos os movimentos aparentes, isto é, vistos da terra, deveriam ser explicados com base em círculos, esferas e movimentos uniformes, únicos ingredientes dignos de arquitetura do Universo.

Um aspecto curioso e típico desse período é que as concepções deviam, acima de tudo, ser frutos de um raciocínio ou de uma abstração, independente de sua relação com os fatos reais.
Além do mais, o Sistema do Mundo geocêntrico de Ptolomeu deixava o homem no centro do Universo, como obra-prima da criação. Isso também se ajustava a um Sistema de dominação que fazia o homem crer que seu grande destino e objetivo era ir para a Mansão Celeste que ficava além da esfera das estrelas fixas.

O PROFETA DO INFINITO: Giordano Bruno

Por toda a Europa Giordano Bruno andou, indo pregar suas ideias até nas Ilhas Britânicas.
É importante entender algo mais sobre esse brilhante e apaixonado filósofo-cientista italiano. Sua pregação baseava-se nas ideias de Copérnico; sobre o absurdo de se imaginar a Terra como centro do universo. Ele ia ainda muito além disso. Mesmo no Sistema Heliocêntrico de Copérnico, o Sol ocupava o centro de um Universo limitado e fechado dentro da esfera rígida das estrelas fixas. Giordano Bruno propõe: “o Sol está no centro do sistema dos planetas, mas o Sol também deve ser uma estrela, como essas das quais devem existir outros milhares ou milhões”. Para ele o céu das estrelas fixas não é uma esfera rígida, com estrelas crivadas em seu interior. Era aberto e ilimitado.

Essas ideias golpeavam não só a visão física do Universo, como também a concepção espiritual do homem e de sua salvação. Em lugar de obra-prima e centro do universo, o homem era relegado a minúsculo ser, habitante de um minúsculo planeta que, por sua vez, girava ao redor de uma estrelinha comum, que é o sol.

Cenas do Filme: