sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Estações do ano em outros planetas

Que tal embarcar conosco em uma viagem pelo Sistema Solar? Prepare-se: você vai ver que as temperaturas em alguns planetas podem ser extremamente quentes... ou frias! Como a Terra, os outros planetas que giram em torno do Sol também têm estações do ano. Alguns, como Marte, apresentam as quatro estações: primavera, verão, outono e inverno. Em outros, existe apenas verão e inverno. No entanto, as estações do ano nos planetas do nosso Sistema Solar são determinadas da mesma maneira que as da Terra.

Vejam o vídeo:

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

VÍDEO - O SOL


O Sol é a estrela mais próxima de nós. Todos os planetas do sistema solar giram ao seu redor e cada um com um período diferente. Ele é o responsável pelo suprimento de energia da maioria dos planetas. Quando as pessoas visitam observatórios as perguntas mais comuns que surgem a respeito do Sol são: o que é o Sol e como ele funciona? Do que ele é feito? veremos alguns dados curiosos a respeito do Sol:

O Sol só é uma estrela por causa da grande quantidade de massa que ele tem, 332 959 vezes a massa da Terra.
Ele é constituído, principalmente dos gases hidrogênio e hélio, os dois gases mais leves que temos. Quando se diz que o Sol tem quase 98% de gases a pergunta mais comum que aparece é: como é possível o Sol ter tanta massa, ser tão grande sendo formado de gases?


Bem, essa é uma longa história e que nem mesmo os cientistas que estudam o Sol e outras estrelas sabem explicar exatamente como acontece, mas uma coisa eles sabem: Antes de existir o Sol e os planetas o que existia no lugar do sistema solar era uma enorme nuvem de gases e poeira muito maior que o sistema solar. Os gases são os que conhecemos: oxigênio, nitrogênio e principalmente hidrogênio e hélio; a poeira são todos os outros elementos químicos; ferro, ouro, urânio, etc... mas, a grande parte dessa nuvem era o hidrogênio e o hélio. Por algum motivo que ainda não é bem explicado essa nuvem encontrou condições para se aglomerar, se juntar em pequenos blocos, esses blocos começaram a se juntar em blocos cada vez maiores. Um desses blocos, o que se formou primeiro, no centro da nuvem, ficou tão grande e pesado que sua força gravitacional tornou-se suficiente para reter os gases com muita facilidade. Esse bloco aumentou tanto de tamanho e massa que acabou por se transformar numa estrela: o Sol. Os blocos menores que se formaram ao redor do bloco central deram origem aos planetas. CUIDADO!


Muitas pessoas pensam que os planetas são pequenas bolhas expelidas pelo Sol. Isso porque os cientistas do passado pensavam assim. Hoje em dia sabe-se que isso não é verdade. A teoria da nuvem de gás e poeira é a mais aceita entre cientistas atuais.



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ASTRONOMIA VERSUS ASTROLOGIA

(Doze ‘flósofos pagãos’ e suas conjunções planetárias, ilustração de um antigo manuscrito sobre astrologia)


O movimento dos astros influencia nosso dia-a-dia?


Há alguma evidência científica de que os astros podem revelar aspectos ocultos de nossa personalidade ou influenciar nosso comportamento, cotidiano e destino?
A astrologia pode ser considerada uma ciência, no sentido moderno dessa palavra?
É possível testar, sob condições controladas, as previsões feitas por horóscopos e mapas astrais? Se sim, o que dizem os resultados desses experimentos?
Essas são algumas das perguntas que um astrônomo se propõe a responder neste artigo, que faz parte da série ‘Ano Internacional da Astronomia’.


Astronomia versus astrologia


O ato de olhar o céu e buscar simbolismos e associações é algo intrínseco ao ser Humano e ocorre há milênios. Essa busca vem do tempo em que pouco se conhecia sobre o comportamento da natureza e no qual o animismo era uma tentativa de compreender e domesticar o desconhecido. Muitas culturas antigas têm registros sistemáticos da esfera celeste que remontam a 2 mil anos antes da era cristã. Desde essa época, padrões de repetição de movimento e agrupamento de astros já eram conhecidos, levando à separação entre estrelas e planetas (‘astros errantes’) – na época, eram conhecidos apenas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.

A ideia de constelações também surgiu naturalmente, sendo que a idealização do que era ‘visto’ no agrupamento de estrelas sempre sofreu uma forte influência da mitologia local. Porém, ainda hoje, um fato acontece com vários de nós, astrônomos profissionais ou amadores: basta comentar sobre nossa profissão ou interesse pelos céus e rapidamente vem a pergunta: “E se eu te disser que sou Sagitário com ascendente em Touro?” É surpreendente que, mesmo neste início de século, um número enorme de pessoas ainda leva a sério uma crença que remonta a mais de dois milênios: a de que os astros influenciam
o cotidiano, o comportamento e o destino das pessoas.




(Em gravura de 1587, mulher dá à luz enquanto astrólogos examinam as constelações e fazem previsões sobre a criança)



Sem status científico


Astronomia e astrologia são palavras derivadas do grego. Nessa língua, astron significa ‘estrela’ e o sufixo nomos (escrito, em português, como ‘nomia’), ‘regra’ ou ‘lei’. A astronomia é a ciência que trata da constituição, posição relativa, movimento e, mais recentemente, dos processos físicos que ocorrem nos
Os fundamentos da astrologia foram estabelecidos pelos babilônios, por volta de 1500 a.C. A origem comum da astronomia e da astrologia remonta a essa época e, apesar de ambas se basearem no estudo dos astros, suas versões modernas são inteiramente distintas.
A astrologia baseia suas previsões no movimento relativo dos planetas do sistema solar, não fazendo uso da informação trazida pela radiação eletromagnética (ondas de rádio, infravermelho, luz visível, raios X etc.) emitida por eles. Praticantes e estudiosos da astrologia consideram-na uma linguagem simbólica, forma de arte, adivinhação ou até ciência, com capacidade de prever o futuro ou aspectos ocultos da personalidade. Os astrólogos defendem sua área de estudo com base na ideia de que a ciência moderna não entende o que eles dizem e que, mesmo sob teste, a astrologia será sempre avaliada segundo os paradigmas científicos, desconsiderando outras formas de testes e de pensamento.
Nossa ênfase neste artigo será a astrologia sob o ponto de vista da ciência, mas vamos aqui, ainda que brevemente, explicar as características básicas da astronomia. Esta é baseada em leis conhecidas da física, sendo que os resultados obtidos com base nessas leis deverão ser os mesmos para qualquer pessoa que conheça os métodos empregados no experimento, bem como as leis em questão. O estudo de astros distantes também é feito com base na radiação eletromagnética emitida por esses corpos celestes, incluindo ondas de rádio, micro-ondas, ultravioleta, raios X e raios gama. Isso permite não só a reconstrução dos processos físicos que produzem essa radiação, mas também o estudo da estrutura e do estado evolutivo do astro.
Críticos da astrologia – incluindo a própria comunidade científica –, consideram-na uma forma de pseudociência ou superstição, devido à sua incapacidade de demonstrar o que afirma, o que até agora tem sido corroborado em grande número de estudos científicos controlados. Por sua vez, astrólogos contestam testes propostos pela ciência para validar a astrologia nesse sentido. E, quando não se recusam a participar deles, rejeitam seus resultados, apesar de estes serem baseados em testes estatísticos e em leis da natureza amplamente validadas. Portanto, como a astrologia não se enquadra no paradigma do que é entendido como ciência, ela perde o direito de reivindicar esse status quando lhe é conveniente.


Breve histórico


A observação e nomenclatura dos céus, adotadas até hoje pela civilização ocidental, remontam aos babilônios, egípcios, gregos e romanos. Pode-se dizer que a primeira grande sistematização do estudo dos céus com fins astrológicos está em Tetrabiblos, texto escrito pelo astrônomo greco-egípcio Claudius
Ptolomeu, que viveu no século 2 a.C.. Essa obra, dividida em quatro livros, sistematiza e propõe explicações para o modelo geocêntrico (aquele em que a Terra é o centro do universo), defendendo-o com hipóteses que duraram cerca de 1,5 mil anos – vale ressaltar que o modelo geocêntrico é a base do princípio astrológico.

Tetrabiblos é também um tratado de astrologia, talvez o mais importante da Antiguidade. Seu ‘Livro I’ afirma que as influências dos corpos celestes são inteiramente físicas e, nos ‘Livros III’ e ‘IV’, descreve como os céus interferem nas atividades humanas Doze ‘filósofos pagãos’ e suas conjunções planetárias, ilustração de um antigo manuscrito sobre astrologia.
A contrapartida astronômica de Tetrabiblos é Almagesto, também de Ptolomeu, um grande tratado sobre astronomia com 13 livros.

Na Idade Média, com sua atmosfera de intensa religiosidade, a possibilidade de fazer e verificar previsões baseadas nos astros era questionada. O padre e filósofo católico Aurélio Agostinho (354-430) – mais conhecido como Santo Agostinho – levantou o famoso problema do “fatalismo astrológico”, um arrazoado no qual argumentava que, “se o futuro já estava previsto por Deus, ou pela influência previsível dos movimentos planetários, para todos, como poderiam ser livres os humanos”? A resposta, dada por ele mesmo, apontava para a “sugestão, mas não obrigação”, de que seguir as estrelas e as orações ajuda a resistir aos desvios...

Nessa época, eram conhecidos três tipos de astrologia, descritos pelo filósofo francês Nicolas Ores me (1320-1382), crítico da astrologia e astrônomo ‘mecanicista’ da corte de Carlos V:

i) a astrologia matemática (ou astronomia);
ii) astrologia natural (relacionada com a física);
iii) a astrologia espiritual (ligada à previsão do futuro e à elaboração de horóscopos).


Na Idade Média, portanto, já era feita uma diferenciação entre a astronomia e a astrologia. Até o final do Renascimento, a astrologia foi uma atividade essencialmente acadêmica, exercida inclusive por médicos. Por uma questão de justiça, deve ser sempre mencionado que o dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601), o alemão Johannes Kepler (1571-1630) e o italiano Galileu Galilei (1564-1642), além de cientistas (no sentido moderno do termo), foram também competentes astrólogos nos sentidos ‘i’ e ‘ii’ do parágrafo anterior. Kepler, porém, foi um crítico ferrenho da astrologia divinatória.

No século 17, o interesse acadêmico pelo prognóstico astrológico transferiu-se para a nova medicina e para a meteorologia, e, nessa época, a astrologia saiu da academia, estimulando novamente o aparecimento do tipo de astrólogo usualmente conhecido na Antiguidade, mais dedicado às práticas divinatórias. Em linhas gerais, esse é o quadro que permanece até os dias de hoje.



Situações para se pensar


Em 1990, João Braga, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos (SP), e o autor deste artigo escreveram um artigo apresentando questões ligadas à previsibilidade astrológica que devem nos fazer pensar sobre os fundamentos dessa pseudociência. Por exemplo, qual é a probabilidade de que 1/12 da população da Terra esteja tendo o mesmo tipo de dia? Mesmo levando em conta todos os detalhes astrológicos (ascendentes, quadraturas, oposições etc.), os horóscopos deveriam apresentar alguma semelhança, pois o signo ‘solar’ é a principal referência. Uma simples divisão mostra que, nesse caso, as mesmas previsões seriam, ainda que superficialmente, adequadas a cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo, todos os dias!

A seguir, algumas dúvidas na forma de perguntas.

Estavam errados os horóscopos feitos antes das descobertas de Urano, Netuno e Plutão, ocorridas em 1781, 1846 e 1930, respectivamente? Deveríamos refazer esses horóscopos? Além disso, existe uma associação entre nomes de planetas, personalidades mitológicas e características astrológicas, portanto há que se pensar agora como nomear e incluir a influência dos mais de 300 planetas extrassolares descobertos desde 1995.
E quais objetos celestes devem ou não ser incluídos nas previsões? O astrônomo francês Jean-Claude Pecker lembra que os astrólogos parecem ter uma visão bastante curta, por limitarem sua atividade ao nosso sistema solar. Bilhões de corpos em todos os confins do universo poderiam somar a sua influência àquela proporcionada pelo Sol, pela Lua e pelos planetas. Será que uma pessoa cujo horóscopo omite os efeitos do pulsar do Caranguejo e de Andrômeda realmente recebe uma interpretação completa?

A distância até esses objetos é importante? Para a astrologia, parece que não. Por exemplo, mesmo que Saturno seja importante para caracterizar um mapa astral (e esteja fisicamente o mais próximo possível da Terra, em termos de suas órbitas), Marte e Vênus sempre estarão mais perto de nós do que
Saturno, independentemente de nossa posição relativa a eles. No entanto, a importância de ambos nas previsões é variável.

Essa discussão conduz a que tipo de força define as interações astrológicas. A força gravitacional está descartada, pois aquela exercida sobre a criança pelo médico que faz um parto é seis vezes maior do que a de Marte. Já a força de maré do médico é aproximadamente dois trilhões de vezes maior que a de
Marte. Deveríamos incluir a personalidade do médico no horóscopo, assim como incluímos as características de Marte?

Como as influências astrológicas parecem não depender completamente da distância entre os cor-pos, isso traz a questão de que tipo de força é essa, não detectada, até agora, por nenhum experimento, em nenhum laboratório, terrestre ou espacial.



(Ilustração de Andreas Cellarius publicada em 1660/1661, em Amsterdã, mostrando o planisfério celeste com os signos do zodíaco)

domingo, 16 de agosto de 2009

Astronomia versus Astrologia



O movimento dos astros influencia nosso dia-a-dia?






Há alguma evidência científi ca de que os astros podem revelar aspectos ocultos de nossa personalidade ou infl uenciar nosso comportamento, cotidiano e destino? A astrologia pode ser considerada uma ciência, no sentido moderno dessa palavra? É possível testar, sob condições controladas, as previsões feitas por horóscopos e mapas astrais? Se sim, o que dizem os resultados desses experimentos? Essas são algumas das perguntas que um astrônomo se propõe a responder neste artigo, que faz parte da série ‘Ano Internacional da Astronomia’.









O ato de olhar o céu e buscar simbolismos e associações é algo intrínseco ao ser humano e ocorre há milênios. Essa busca vem do tempo em que pouco se conhecia sobre o comportamento da natureza e no qual o animismo era uma tentativa de compreender e domesticar o desconhecido. Muitas culturas antigas têm registros sistemáticos da esfera celeste que remontam a 2 mil anos antes da era cristã. Desde essa época, padrões de repetição de movimento e agrupamento de astros já eram conhecidos, levando à separação entre estrelas e planetas (‘astros errantes’) – na época, eram conhecidos apenas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.A ideia de constelações também surgiu naturalmente, sendo que a idealização do que era ‘visto’ no agrupamento de estrelas sempre sofreu uma forte influência da mitologia local. Porém, ainda hoje, um fato acontece com vários de nós, astrônomos profissionais ou amadores: basta comentar sobre nossa profissão ou interesse pelos céus e rapidamente vem a pergunta: “E se eu te disser que sou Sagitário com ascendente em Touro?” É surpreendente que, mesmo neste início de século, um número enorme de pessoas ainda leva a sério uma crença que remonta a mais de dois milênios: a de que os astros influenciam o cotidiano, o comportamento e o destino das pessoas.






Sem status científico






Astronomia e astrologia são palavras derivadas do grego. Nessa língua, astron significa ‘estrela’ e o sufixo nomos (escrito, em português, como ‘nomia’), ‘regra’ ou ‘lei’. A astronomia é a ciência que trata da constituição, posição relativa, movimento e, mais recentemente, dos processos físicos que ocorrem nos astros (neste último caso, sendo denominada a ciência moderna não entende o que eles dizem e que, mesmo sob teste, a astrologia será sempre avaliada segundo os paradigmas científicos, desconsiderando outras formas de testes e de pensamento.Nossa ênfase neste artigo será a astrologia sob o ponto de vista da ciência, mas vamos aqui, ainda que brevemente, explicar as características básicas da astronomia. Esta é baseada em leis conhecidas da física, sendo que os resultados obtidos com base nessas leis deverão ser os mesmos para qualquer pessoa que conheça os métodos empregados no experimento, bem como as leis em questão. O estudo de astros distantes também é feito com base na radiação eletromagnética emitida por esses corpos celestes, incluindo ondas de rádio, micro-ondas, ultravioleta, raios X e raios gama. Isso permite não só a reconstrução dos processos físicos que produzem essa radiação, mas também o estudo da estrutura e do estado evolutivo do astro.Críticos da astrologia – incluindo a própria comunidade científica –, consideram-na uma forma de pseudociência ou superstição, devido à sua incapacidade de demonstrar o que afirma, o que até agora tem sido corroborado em grande número de estudos científicos controlados. Por sua vez, astrólogos contestam testes propostos pela ciência para validar a astrologia nesse sentido. E, quando não se recusam a participar deles, rejeitam seus resultados, apesar de estes serem baseados em testes estatísticos e em leis da natureza amplamente validadas. Portanto, como a astrologia não se enquadra no paradigma do que é entendido como ciência, ela perde o direito de reivindicar esse status quando lhe é conveniente.




Doze ‘filósofos pagãos’ e suas conjunções interplanetárias, ilustração de um antigo manuscrito sobre astrologia.



Breve histórico


A observação e nomenclatura dos céus, adotadas até hoje pela civilização ocidental, remontam aos babilônios, egípcios, gregos e romanos. Pode-se dizer que a primeira grande sistematização do estudo dos céus com fins astrológicos está em Tetrabiblos, texto escrito pelo astrônomo greco-egípcio Claudius Ptolomeu, que viveu no século 2 a.C.. Essa obra, dividida em quatro livros, sistematiza e propõe explicações para o modelo geocêntrico (aquele em que a Terra é o centro do universo), defendendo-o com hipóteses que duraram cerca de 1,5 mil anos – vale ressaltar que o modelo geocêntrico é a base do princípio astrológico.Tetrabiblos é também um tratado de astrologia, talvez o mais importante da Antiguidade. Seu ‘Livro I’ afirma que as influências dos corpos celestes são inteiramente físicas e, nos ‘Livros III’ e ‘IV’, descreve como os céus interferem nas atividades humanas






segunda-feira, 20 de julho de 2009

OLHOS GIGANTES PARA O CÉU




Uma nova era

Por séculos, os humanos estudaram a posição e o movimento dos astros, especulando sobre sua organização e sua natureza, com o auxílio somente de seus olhos e de instrumentos que serviam como pontos de referência para as posições celestes. No início do século 17, essa situação estava prestes a mudar radicalmente. Em 1609, o físico e astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642) – nessa época, catedrático de matemática na Universidade de Pádua – realizou, pela primeira vez, observações astronômicas com o auxílio de um telescópio (que ele batizou perspicillum) e registrou suas descobertas nos meses e anos que se seguiram.
Estava iniciada uma revolução que se estende aos dias de hoje: a era da astronomia impulsionada por instrumentos astronômicos.
Neste ano, em que comemoramos 400 anos desse importante feito científico e tecnológico de Galileu, é impossível separar as grandes descobertas astronômicas do desenvolvimento de telescópios e instrumentos, que têm sido nossos olhos para investigar desde os planetas vizinhos até quasares, corpos celestes que habitam os limites do universo observável.
Mas, de mesma forma que se aprofundam nosso conhecimento sobre o universo e se amplia nosso horizonte de pesquisa, aumenta também a necessidade de enxergar objetos mais fracos e mais distantes, com mais detalhes. E, por isso, os países do mundo se unem em parceiras para construir equipamentos cada vez mais complexos e surpreendentes.

Fotografia em cena

Como olho humano foi a principal ferramenta de registro das observações astronômicas desde seu início até a metade do século 19, não é surpresa que os maiores desenvolvimentos tenham sido em telescópios ópticos.
Por volta de 1670, o físico inglês Isaac Newton (1643-1727) construiu um telescópio de 10 cm de diâmetro, usando o principio de reflexão em espelhos, para observar a imagem, em uma montagem que até hoje leva seu nome. A partir daí, iniciou-se uma corrida pela construção de espelhos cada vez maiores e melhores, possibilitando dois séculos de incríveis avanços na astronomia.
Na década de 1840, pouco depois das primeiras demonstrações públicas da fotografia na França, astrônomos ingleses e franceses testavam a fotografia astronômica, com câmaras acopladas aos telescópios. Desse momento em diante, o olho humano estava aposentado como ferramenta científica em astronomia, sendo então substituído por equipamentos que registravam e variações do brilho dos objetos celestes com muito mais eficiência e precisão.

Prisma, lentes e anteparo

A fotografia foi aposentada na astronomia nas décadas de 1970 e 1980. Atualmente, a instrumentação periférica acoplada aos telescópios e os sensores eletrônicos, como os detectores ópticos CCD e detectores de infravermelho, são tão importantes quanto os telescópios em si e recebem a mesma atenção (às vezes, até mais) que a construção e o planejamento destes últimos. Com câmaras digitais e equipamentos para medir propriedades da radiação eletromagnética (fotômetros e espectrógrafos), os astrônomos retiram o máximo de informação da luz vinda dos objetos cósmicos.
Para termos uma ideia da complexidade dos instrumentos astronômicos em construção e em planejamento hoje, o espectrógrafo construído em 1814, pelo alemão Joseph von Fraunhofer (1787-1826), utilizado para estudar propriedades da luz solar (chamadas linhas escuras do espectro solar), continha um pequeno prisma de vidro, algumas lentes e um anteparo onde a imagem era vista. Neste início de século, o espectrógrafo WFMOS (sigla, em inglês, para Espectrógrafo Multiobjeto de Campo Amplo), planejado em conjunto pelos observatórios Gemini e Subaru, vai poder observar 2,4 mil objetos simultaneamente. Isso será feito por meio de cabos de fibras ópticas de 60 m de comprimento, planejados pela equipe do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), do Ministério da Ciência e Tecnologia (ver ‘Instrumentação verde-amarela’). Esse sistema levará a luz a dois espectrógrafos com dezenas de elementos ópticos e milhares de partes mecânicas. O projeto terá um custo aproximado de US$ 50 milhões (cerca de R$ 120 milhões), praticamente a metade do custo de cada telescópio de 8 m, como o Gemini ou o Subaru.




Vista do local da instalação do telescópio SOAR com as bandeiras dos parceiros do projeto



Os Gigantes dos Espelhos

A corrida pela construção de espelhos cada vez maiores e mais sofisticados culminou na classe de telescópio de 8m a 11m em operação hoje, como os dois telescópios Gemini, de 8m cada (dos quais o Brasil é parceiro, sendo que um deles fica no Havaí e outro no Chile); os dois telescópio Keck, de 10m de diâmetro cada (com espelhos segmentados), no Havaí (Estados Unidos); os quatro telescópios do VLT do observatório Meridional Europeu (ESO), com 8m cada; o Telescópio Hobby-Eberly, de 11m; o Grande Telescópio Sul-Africano, também de 11m; e o telescópio Subaru (8m), também no Havaí.


O que é o Telescópio SOAR - (SOuthern Astrophysical Research Telescope)?

O telescópio tem abertura de 4,2 metros, projetado para produzir imagens de qualidade melhor que as de qualquer outro observatório do mundo em sua categoria.
Foi financiado por um consórcio com os seguintes parceiros: Brasil (representado pelo CNPq), o National Optical Astronomy Observatory (NOAO), a Universidade da Carolina do Norte (UNC) e a Universidade Estadual de Michigan (MSU). O SOAR estará sendo inaugurado em 17 de abril e deverá iniciar a operação de coleta de dados cientícos de rotina no segundo semestre de 2004.
Está situado em Cerro Pachón, uma montanha dos Andes Chilenos com altitude de 2.700 metros acima do nível do mar. O telescópio e sua cúpula esférica branca estão localizados a algumas centenas de metros do seu vizinho, o telescópio Gemini Sul com espelho de 8,1 metros de diâmetro, de onde pode-se avistar Observatório de Cerro Tololo.

Relevância

O Brasil já participa de outro consórcio internacional, o Observatório Gemini atualmente em operação. Foram construídos telescópios gêmeos de 8,1 metros de diâmetro cujas instalações se localizam nos Andes Chilenos e no Havaí. O número de noites a serem utilizadas nestes telescópios é proporcional à parcela de contribuição de cada participante na construção/ operação, cabendo ao Brasil 8 noites em cada telescópio. Estes instrumentos permitem observações de alta qualidade, mas apenas alguns projetos podem ser contemplados com esse tempo, escolhidos dentre a grande demanda existente. O Brasil conta com alguns telescópios de 60 centímetros e um telescópio de 1,6 metros em território nacional, que vem atendendo a comunidade astronômica brasileira desde 1980, mas que não são adequados para muitos dos projetos observacionais de interesse de nossos pesquisadores e alunos de pós-graduação, e que sofrem de excesso de demanda a vários anos . A Astronomia Brasileira vem crescendo continuamente a uma taxa de cerca de 10% ao ano e há a necessidade urgente de expansão, através da criação de novos grupos de pesquisa no país, a serem liderados pelos pesquisadores ora em formação e que receberão vigoroso impulso com a concretização do SOAR . O Telescópio SOAR certamente preencherá a lacuna existente entre o telescópio de 1,6 metros, que se localiza em Brazópolis/MG no Pico dos Dias e os telescópios Gemini, suprindo a comunidade com um instrumento de porte intermediário extremamente versátil, rápido, de ótica soberba e localizado em local privilegiado.


Telescópio Gigante Magalhães
Concepção artística

Mais imagens no link: http://www.lna.br/soar/fotos_hist.html