segunda-feira, 20 de julho de 2009

OLHOS GIGANTES PARA O CÉU




Uma nova era

Por séculos, os humanos estudaram a posição e o movimento dos astros, especulando sobre sua organização e sua natureza, com o auxílio somente de seus olhos e de instrumentos que serviam como pontos de referência para as posições celestes. No início do século 17, essa situação estava prestes a mudar radicalmente. Em 1609, o físico e astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642) – nessa época, catedrático de matemática na Universidade de Pádua – realizou, pela primeira vez, observações astronômicas com o auxílio de um telescópio (que ele batizou perspicillum) e registrou suas descobertas nos meses e anos que se seguiram.
Estava iniciada uma revolução que se estende aos dias de hoje: a era da astronomia impulsionada por instrumentos astronômicos.
Neste ano, em que comemoramos 400 anos desse importante feito científico e tecnológico de Galileu, é impossível separar as grandes descobertas astronômicas do desenvolvimento de telescópios e instrumentos, que têm sido nossos olhos para investigar desde os planetas vizinhos até quasares, corpos celestes que habitam os limites do universo observável.
Mas, de mesma forma que se aprofundam nosso conhecimento sobre o universo e se amplia nosso horizonte de pesquisa, aumenta também a necessidade de enxergar objetos mais fracos e mais distantes, com mais detalhes. E, por isso, os países do mundo se unem em parceiras para construir equipamentos cada vez mais complexos e surpreendentes.

Fotografia em cena

Como olho humano foi a principal ferramenta de registro das observações astronômicas desde seu início até a metade do século 19, não é surpresa que os maiores desenvolvimentos tenham sido em telescópios ópticos.
Por volta de 1670, o físico inglês Isaac Newton (1643-1727) construiu um telescópio de 10 cm de diâmetro, usando o principio de reflexão em espelhos, para observar a imagem, em uma montagem que até hoje leva seu nome. A partir daí, iniciou-se uma corrida pela construção de espelhos cada vez maiores e melhores, possibilitando dois séculos de incríveis avanços na astronomia.
Na década de 1840, pouco depois das primeiras demonstrações públicas da fotografia na França, astrônomos ingleses e franceses testavam a fotografia astronômica, com câmaras acopladas aos telescópios. Desse momento em diante, o olho humano estava aposentado como ferramenta científica em astronomia, sendo então substituído por equipamentos que registravam e variações do brilho dos objetos celestes com muito mais eficiência e precisão.

Prisma, lentes e anteparo

A fotografia foi aposentada na astronomia nas décadas de 1970 e 1980. Atualmente, a instrumentação periférica acoplada aos telescópios e os sensores eletrônicos, como os detectores ópticos CCD e detectores de infravermelho, são tão importantes quanto os telescópios em si e recebem a mesma atenção (às vezes, até mais) que a construção e o planejamento destes últimos. Com câmaras digitais e equipamentos para medir propriedades da radiação eletromagnética (fotômetros e espectrógrafos), os astrônomos retiram o máximo de informação da luz vinda dos objetos cósmicos.
Para termos uma ideia da complexidade dos instrumentos astronômicos em construção e em planejamento hoje, o espectrógrafo construído em 1814, pelo alemão Joseph von Fraunhofer (1787-1826), utilizado para estudar propriedades da luz solar (chamadas linhas escuras do espectro solar), continha um pequeno prisma de vidro, algumas lentes e um anteparo onde a imagem era vista. Neste início de século, o espectrógrafo WFMOS (sigla, em inglês, para Espectrógrafo Multiobjeto de Campo Amplo), planejado em conjunto pelos observatórios Gemini e Subaru, vai poder observar 2,4 mil objetos simultaneamente. Isso será feito por meio de cabos de fibras ópticas de 60 m de comprimento, planejados pela equipe do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), do Ministério da Ciência e Tecnologia (ver ‘Instrumentação verde-amarela’). Esse sistema levará a luz a dois espectrógrafos com dezenas de elementos ópticos e milhares de partes mecânicas. O projeto terá um custo aproximado de US$ 50 milhões (cerca de R$ 120 milhões), praticamente a metade do custo de cada telescópio de 8 m, como o Gemini ou o Subaru.




Vista do local da instalação do telescópio SOAR com as bandeiras dos parceiros do projeto



Os Gigantes dos Espelhos

A corrida pela construção de espelhos cada vez maiores e mais sofisticados culminou na classe de telescópio de 8m a 11m em operação hoje, como os dois telescópios Gemini, de 8m cada (dos quais o Brasil é parceiro, sendo que um deles fica no Havaí e outro no Chile); os dois telescópio Keck, de 10m de diâmetro cada (com espelhos segmentados), no Havaí (Estados Unidos); os quatro telescópios do VLT do observatório Meridional Europeu (ESO), com 8m cada; o Telescópio Hobby-Eberly, de 11m; o Grande Telescópio Sul-Africano, também de 11m; e o telescópio Subaru (8m), também no Havaí.


O que é o Telescópio SOAR - (SOuthern Astrophysical Research Telescope)?

O telescópio tem abertura de 4,2 metros, projetado para produzir imagens de qualidade melhor que as de qualquer outro observatório do mundo em sua categoria.
Foi financiado por um consórcio com os seguintes parceiros: Brasil (representado pelo CNPq), o National Optical Astronomy Observatory (NOAO), a Universidade da Carolina do Norte (UNC) e a Universidade Estadual de Michigan (MSU). O SOAR estará sendo inaugurado em 17 de abril e deverá iniciar a operação de coleta de dados cientícos de rotina no segundo semestre de 2004.
Está situado em Cerro Pachón, uma montanha dos Andes Chilenos com altitude de 2.700 metros acima do nível do mar. O telescópio e sua cúpula esférica branca estão localizados a algumas centenas de metros do seu vizinho, o telescópio Gemini Sul com espelho de 8,1 metros de diâmetro, de onde pode-se avistar Observatório de Cerro Tololo.

Relevância

O Brasil já participa de outro consórcio internacional, o Observatório Gemini atualmente em operação. Foram construídos telescópios gêmeos de 8,1 metros de diâmetro cujas instalações se localizam nos Andes Chilenos e no Havaí. O número de noites a serem utilizadas nestes telescópios é proporcional à parcela de contribuição de cada participante na construção/ operação, cabendo ao Brasil 8 noites em cada telescópio. Estes instrumentos permitem observações de alta qualidade, mas apenas alguns projetos podem ser contemplados com esse tempo, escolhidos dentre a grande demanda existente. O Brasil conta com alguns telescópios de 60 centímetros e um telescópio de 1,6 metros em território nacional, que vem atendendo a comunidade astronômica brasileira desde 1980, mas que não são adequados para muitos dos projetos observacionais de interesse de nossos pesquisadores e alunos de pós-graduação, e que sofrem de excesso de demanda a vários anos . A Astronomia Brasileira vem crescendo continuamente a uma taxa de cerca de 10% ao ano e há a necessidade urgente de expansão, através da criação de novos grupos de pesquisa no país, a serem liderados pelos pesquisadores ora em formação e que receberão vigoroso impulso com a concretização do SOAR . O Telescópio SOAR certamente preencherá a lacuna existente entre o telescópio de 1,6 metros, que se localiza em Brazópolis/MG no Pico dos Dias e os telescópios Gemini, suprindo a comunidade com um instrumento de porte intermediário extremamente versátil, rápido, de ótica soberba e localizado em local privilegiado.


Telescópio Gigante Magalhães
Concepção artística

Mais imagens no link: http://www.lna.br/soar/fotos_hist.html

terça-feira, 14 de julho de 2009

Após 105 dias, termina isolamento que recria missão em Marte



Após 105 dias, chegou ao fim nesta terça-feira (14 de Julho de 2009) o isolamento que recria as condições de um voo tripulado para Marte. No total, seis voluntários, sendo quatro russos, um francês e um alemão, participaram da missão, que aconteceu em Moscou, na Rússia. As portas do módulo de teste foram abertas às 07h (Horário de Brasília).
"A experiência foi um sucesso", declarou o comandante da expedição de teste, Sergei Ryazansky, aos seus superiores da agência espacial russa Roskosmos. Depois de deixaram o
módulo, os voluntários foram levados para fazer exames médicos.
O objetivo do experimento era estudar os efeitos psicológicos e fisiológicos de um longo período de isolamento. O teste recriou as condições exatas de uma missão real a Marte,
incluindo um pouso na superfície marciana, lentidão de 20 minutos na comunicação com a base, além de situações de emergência inesperadas.
Durante os três meses de teste, os seis voluntários viveram em uma instalação de 550 metros cúbicos, com cômodos individuais de, no máximo, 3,2 metros quadrados.


Desde que a cápsula foi fechada, em 31 de março, as únicas possibilidades de deixar o módulo eram em caso de doença ou outros fatores que pudessem forçar um voluntário a
abandonar a experiência. No entanto, todos eles conseguiram chegar até o final do programa sem maiores problemas.
"Nenhum de nós pode negar que estava ansioso para voltar à vida normal, mas todos nós também teremos recordações espaciais dos meses passados como um evento extraordinário e um
desafio superado com sucesso em nossas vidas", afirmou o alemão Oliver Knickel, em um registro final no diário de bordo.
A próxima etapa do programa está prevista para o final do ano e consistirá em fechar seis pessoas no módulo durante 520 dias, duração total estimada de uma missão a Marte.
Segundo a ESA (Agência Espacial Européia, na sigla em inglês), um voo de ida de ida e volta da Terra a Marte deverá ser realizado somente em 2030 e levaria perto de 520 dias:
250 para a ida, 30 no local e 240 para a volta.
A distância entre o Planeta Vermelho e a Terra varia entre 55 e mais de 400 milhões de quilômetros.

domingo, 14 de junho de 2009

Vídeo - A Via Láctea

No magnífico cenário que é o céu visto a olho nu de um local sem a poluição (luminosa principalmente) característica das grandes cidades, destacam-se por suas belezas; a Lua e uma tênue faixa luminosa que corta o céu de fora a fora - a Via Láctea.
Na nossa civilização, o nome Via Láctea vem dos gregos antigos, que a viam como um "caminho de leite" no céu [Há um texto que conta a lenda grega sobre a Via Láctea que se encontra no mês de Janeiro de 2009 no nosso blog]. É encontrada nas mais diversas culturas com os mais diversos nomes. Os índios Tembé (sul do Pará) a chamam de "Caminho da Anta"; por exemplo.


No início do século XVII, com a invenção do telescópio, vimos que a luz da Via Láctea consiste da luz "misturada" emitida por um número muito grande de estrelas. Quanto maior o telescópio utilizado, mais estrelas são vistas (individualizadas) nessa faixa do céu.
Hoje sabemos que essa faixa é a visão que temos de nossa própria galáxia, vendo-a por dentro. Galáxias são os agrupamentos imensos nos quais se reúnem as estrelas (e entre elas muito gás e poeira).

Adotamos o nome Via Láctea para a nossa galáxia. Ela é do tipo espiral. Sua forma é denunciada pelo grande acúmulo de estrelas em um plano (o plano da faixa luminosa que vemos no céu). Não podemos ver distante ao longo do plano da Via Láctea, devido à grande quantidade de poeira aí existente.O tamanho de nossa galáxia e a localização do Sol, entretanto, são conhecidos há quase 80 anos. Isso foi possível observando aglomerados estelares (globulares) que se distribuem fora do plano da galáxia. Estimamos que a Via Láctea possui entre 200 e 250 bilhões de estrelas.

Vejam o vídeo sobre esse assunto no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=w04w7JRCKME Vídeo de Portugal

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Bombardeio de meteoritos pode ter estimulado vida na Terra, sugere estudo


Da BBC Brasil 21/05/2009 - 11h20



Quando meteoritos de vários tamanhos bombardearam a Terra há 3,9 bilhões de anos, aquecendo a superfície do planeta e provocando a evaporação de oceanos, elas podem, ao contrário do que muitos cientistas supunham, ter ajudado a estimular o surgimento de vida no planeta, de acordo com um novo estudo da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos.
O novo estudo mostra que o bombardeio teria derretido menos de 25% da crosta terrestre, e que micróbios podem ter sobrevivido em um habitat subterrâneo, isolados da destruição.
E o intenso calor do impacto, segundo o estudo, criou um habitat que estimulou a reprodução de bactérias formadas por uma só célula que são termófilas e hipertermófilas - capazes de sobreviver a temperaturas de 50 a 80 graus Celsius ou de até 110 graus Celsius.


Simulação

A descoberta foi feita através de uma simulação de computador. Como as evidências físicas do bombardeio de asteroides foram apagadas pelo tempo e pela ação de placas tectônicas, os pesquisadores usaram dados das rochas lunares recolhidas pelas missões Apollo, e registro de impacto de meteoros na Lua, Marte e Mercúrio.
"Até sob as condições mais extremas que nós impusemos (na simulação), a Terra não teria sido completamente esterilizada pelo bombardeio", disse Oleg Abramov, um dos autores do estudo.
Ao invés disso, fissuras que expeliam água quente podem ter criado um santuário para esses micróbios que preferem ambientes de calor extremo.
O estudo, publicado na revista "Nature", sugeriu também que a vida na Terra pode ter começado 500 milhões de anos mais cedo do que se pensava.
"Não é pouco razoável sugerir que havia vida na Terra há mais de 3,9 bilhões de anos", disse Stephen Mojzisis, que também participou do estudo. "Nós sabemos de registros geoquímicos que nosso planeta era habitável naquela época."

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Após reparos, astronautas do Atlantis se despedem do Hubble


Da EfeEm Washington



Os sete astronautas do ônibus espacial Atlantis se despediram hoje do telescópio orbital Hubble que, uma vez reparado, passará a capturar imagens ainda mais impressionantes das profundezas do Universo.
Após uma série sem precedentes de cinco dias de trabalhos externos a 563 quilômetros da Terra, os astronautas liberaram o Hubble às 9h57 (Brasília), quando a nave cumpria sua órbita 119 sobre o Atlântico, se aproximando do litoral da África.
Cerca de duas horas antes, o comandante do Atlantis, Scott Altman, manobrou a nave para a orientação correta de modo a soltar o observatório, de 13 toneladas.
Depois, foi dada a ordem para a abertura da porta do telescópio, que protege os instrumentos extremamente sensíveis, a fim de permitir que a luz das estrelas apareça nas lentes.
E após essa operação, a especialista de missão Megan McArthur manobrou o braço robótico do Atlantis deixando o telescópio acima da nave antes de soltá-lo.
O telescópio, posto em órbita há 19 anos, ficou erguido no bagageiro do Atlantis, a última nave que o visita para consertos e manutenção, enquanto os astronautas trocavam baterias, limpavam mecanismos e instalavam aparelhos que melhorarão sua capacidade de observação cósmica.
"A missão foi extremamente interessante", disse o comandante do "Atlantis", Scott Altman depois que na segunda-feira se completaram os trabalhos, com um custo de US$ 220 milhões, que incluíram a colocação de novos instrumentos no observatório espacial.
Perto de 45 minutos depois da liberação do Hubble, a nave começou a se afastar do telescópio, caminho de uma órbita a aproximadamente 385 quilômetros da Terra, para onde Altman e seus seis companheiros retornarão.
O Atlantis fez a quinta missão de nave para trabalhos no Hubble, que foi também a última do tipo. A Nasa (agência espacial americana) retirará de serviço no próximo ano sua frota de ônibus espaciais inaugurada em 1981, e cuja história, além de muitos sucessos, inclui também dois acidentes e 14 astronautas mortos.
Para realizar os trabalhos no Hubble, o Atlantis orbitou a 27.000 km/h, muito acima da faixa em que permanece a Estação Espacial Internacional (ISS).