terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A Igreja tentou restringir o conhecimento Astronômico


Durante a Idade Média, percebemos que o conhecimento andou perdido. A sabedoria do passado foi esquecida, condenada pela Igreja como paganismo, a raiz de todo mal, segundo a filosofia católica da época. Os conhecimentos Gregos e Romanos foram distorcidos e erroneamente interpretados, seja intencional ou não, por santo Agostinho.

Agostinho é uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente. Agostinho foi muito influenciado pelo neoplatonismo de Plotino. Ele aprofundou o conceito de pecado original dos padres anteriores e, quando o Império Romano do Ocidente começou a se desintegrar, desenvolveu o conceito de Igreja como a cidade espiritual de Deus (em um livro de mesmo nome), distinta da cidade material do homem. Seu pensamento influenciou profundamente a visão do homem medieval. A igreja se identificou com o conceito de "Cidade de Deus" de Agostinho, e também a comunidade que era devota de Deus.

Vivendo como um intelectual pagão, ele tomou uma concubina e se tornou um maniqueísta. Posteriormente se converteu para a Igreja Católica, se tornou um bispo, e se opôs às heresias, como a crença que as pessoas possuem a habilidade de escolher fazer um bem tão forte que poderia merecer a salvação sem receber a ajuda divina.


SANTO AGOSTINHO DE HIPONA


Para a Igreja as perguntas sobre a Astronomia ou cosmologia eram encontradas na Bíblia. “O Firmamento não é esférico, mas sim retangular”. Vejam o que diz no Livro de Isaías: “Deus estendeu o céus como uma cortina em forma de tenda”. Finalmente, a Terra é retangular ou circular como disco? Depende onde você for consultar na Bíblia.

O motivo pelo qual destas teorias católicas terem se propagados foram as divisões territoriais e da língua falada nos impérios, no século IV; quando inicia a decadência do império Romano, (Império do Oeste – com a língua latim e Oeste – Império Bizantino – com a língua grega), e as corrupções que enfraqueceu a “imponência” do império। Também, o império sofre grandes ataques dos bárbaros, as invasões bárbaras minaram as forças imperiais, já agonizantes, tomando pouco a pouco seus territórios e pondo fim ao Império Romano em 476 d. C.


Mapa da Invasão Bárbara


Em 324, Constantino, o Grande, imperador do Leste, converteu-se ao cristianismo. À medida que o Império Bizantino crescia em força, Constantino tentava retomar o Oeste do domínio das tribos germânicas, disseminando o cristianismo como a nova fé dos romanos e oferecendo apoio às várias comunidades cristãs espalhadas pela Europa. Mesmo depois da queda de Roma, o cristianismo e a Igreja sobreviveram orientados por santo Agostinho e o papa Gregório I (590-604).

Como todos já sabem, a igreja se tornou referência ideológica para a civilização que foi influênciada pelas suas ideias (devoções à religião como remédio para alma e contra os “rituais pagãos dos bárbaros”).

Buscando conter as chamadas ideias bárbaras, a igreja justificava que o barbarismo que corrompia o corpo era o mesmo que corrompia a mente; qualquer apropriação de informação através dos sentidos decerto só poderia levar à corrupção da alma. Os estudos da natureza, como a astronomia, foram considerados conhecimento “pagão”, capaz de derrubar a ideia cristã.
Neste ponto de vista, confesso que gostei, a Igreja dá total crédito e força, mesmo sem intenção, a Astronomia. Esta ideia de que a Astronomia corrompe a “pureza” do catolicismo, se encontra nas próprias palavras de santo Agostinho:

Agora menciono uma outra forma de tentação ainda mais variada e perigosa. Pois acima da tentação carnal, que se baseia nas delícias e prazeres sensuais – e cujos escravos, ao distanciarem-se de Vós, provocam sua própria destruição – existem também a tentação da mente, que, utilizando-se dos cinco sentidos, motivada por vaidade e curiosidade, realiza experimentos com o auxílio do corpo, em busca de conhecimento e sabedoria [...] Assim, os homens investigam os fenômenos da Natureza – aquela parte da natureza externa aos nossos corpos – mesmo que esse conhecimento não tenha nenhum valor para eles; eles estão interessados apenas na busca do conhecimento, puro e simples [...] Certamente os teatros não me atraem mais, nem tenho interesse em estudar os movimentos celestes”.

Assistam ao vídeo, Galileu versus Igreja, dividida em 10 partes:




O Julgamento de Galileu:


Fontes:

GLEISER, Marcelo. A Dança do Universo: dos Mitos de Criação ao Big Bang. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

KOESTLER, Arthur. The sleepwalkers. Middlesex: Penguin, 1959.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Nasa anuncia descoberta de grande quantidade de água na Lua


LOS ANGELES - Cientistas da Nasa (Agência Espacial dos Estados Unidos) anunciaram nesta sexta-feira a descoberta de grande quantidade de água na Lua। A descoberta faz parte da missão "suicida" da sonda "LCROSS", que colidiu contra a superfície da Lua em outubro deste ano।
Nasa descobre grande quantidade de água na Lua em missão da sonda LCROSS

A sonda LCROSS viajou para a Lua durante três meses, carregada por um estágio do foguete Atlas chamado Centauro. Os dois artefatos foram lançados contra a cratera lunar Cabeus.
Centauro bateu contra Cabeus a uma velocidade de nove mil quilômetros por hora, criando uma cratera de 20 metros de diâmetro por cinco de profundidade.
O impacto lançou cerca 350 toneladas de material lunar a até 10 km de altura. A sonda LCROSS, com 891 quilos, sofreu o mesmo destino do Centauro, quatro minutos depois, o tempo necessário para que seus nove instrumentos, entre eles três espectrômetros, possam captar e determinar a natureza das partículas projetadas pelo primeiro impacto, e transmitir os dados à Terra.
Os cientistas buscavam determinar se há água congelada no fundo da cratera, que jamais recebe a luz solar e tem temperaturas médias de 240 graus negativos.
A sonda, chamada de LCROSS (Lunar Crater Observation and Sensing Satellite), partiu da Terra em junho passado, a bordo de um foguete Atlas V, junto à sonda LRO (Lunar Reconaissance Orbiter), encarregada de elaborar uma carta detalhada do único satélite natural do nosso planeta.
Os dois artefatos integram a primeira missão do programa Constellation, que prevê a volta do homem à Lua a partir de 2020.


terça-feira, 10 de novembro de 2009

ÁUDIO - Descoberta de 32 planetas fora do Sistema Solar

Descoberta de 32 planetas fora do Sistema Solar reforça a ideia de vida espalhada pelo universo

Entrevista com Enos Picazzio, astrônomo e professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP

sábado, 24 de outubro de 2009

Os raios cósmicos de alta energia podem matar um astronauta no espaço?


Podem, mas a probabilidade de isso acontecer é muito pequena, tão pequena que não deve preocupar os planejadores de viagens espaciais. É muito mais alta, por exemplo, a probabilidade de ser atingido por um micrometeorito com energia suficiente para matar um astronauta.

Os raios cósmicos de baixa energia, que estão por toda parte, porém, são um problema muito sério para as viagens longas, como uma possível viagem para Marte.

Uma pessoa na superfície da Terra recebe uma radiação de origem cósmica constante, algo como uma dezena de raios por segundo atravessando seu corpo. Essa radiação é bastante inócua. No entanto, o fluxo da radiação no espaço é muito maior e potencialmente mais perigoso. Perto da Terra, o campo magnético atenua esse fluxo. Longe, o seu efeito é mais sério.

Raios cósmicos de origem galáctica, com energias de alguns gigaelétron-volts por núcleos, são bastante abundantes e oferecem mais perigo para seres vivos, danificando genes e células। O efeito acumulado desses danos pode inviabilizar as viagens interplanetárias, a menos que sejam desenvolvidos meios de proteger os astronautas.Simulação dos Raios Cósmicos atingindo a Terra

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Astrônomos descobrem anel gigante ao redor de Saturno

PASADENA, CALIFÓRNIA - O telescópio espacial Spitzer descobriu um anel gigante ao redor do planeja Saturno, anunciou ontem à noite o Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (agência espacial norte-americana). O fino anel de gelo e partículas de poeira está a 27 graus de inclinação do principal anel do planeta, informou o laboratório. Segundo a porta-voz Whitney Clavin, ele é muito difuso e reflete pouco a luz visível, mas foi detectado pelo sistema de infravermelho do Spitzer.

A extensão do anel começa a cerca de 5,95 milhões de quilômetros de Saturno e vai até uma distância de 11,9 milhões de quilômetros do planeta. Ele é tão grande que poderia abrigar 1 bilhão de planetas Terra em seu interior. Antes da descoberta, Saturno era conhecido por seus sete anéis principais e vários anéis mais fracos. Um estudo sobre o novo anel será publicado hoje na edição online da revista Nature.

"Este é um super anel", disse Anne Verbiscer, uma das autoras do estudo e astrônoma da Universidade de Virgínia, em Charlottesville. Os demais autores são Douglas Hamilton, da Universidade de Maryland, College Park, e Michael Skrutskie, também da Universidade de Virgínia. Os astrônomos acreditam que o material do anel seja proveniente de Phoebe, uma lua de Saturno.

A missão Spitzer, lançada em 2003, é gerenciada pelo Laboratório de Propulsão a Jato em Pasadena, na Califórnia. O telescópio está a 106,2 milhões de quilômetros da Terra, numa órbita ao redor do Sol.

Segue um vídeo sobre Saturno Parte 01:


Vídeo Parte 02:


Vídeo Parte 03:


Vídeo Parte 04:


Vídeo Parte 05:

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Estações do ano em outros planetas

Que tal embarcar conosco em uma viagem pelo Sistema Solar? Prepare-se: você vai ver que as temperaturas em alguns planetas podem ser extremamente quentes... ou frias! Como a Terra, os outros planetas que giram em torno do Sol também têm estações do ano. Alguns, como Marte, apresentam as quatro estações: primavera, verão, outono e inverno. Em outros, existe apenas verão e inverno. No entanto, as estações do ano nos planetas do nosso Sistema Solar são determinadas da mesma maneira que as da Terra.

Vejam o vídeo:

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

VÍDEO - O SOL

video

O Sol é a estrela mais próxima de nós. Todos os planetas do sistema solar giram ao seu redor e cada um com um período diferente. Ele é o responsável pelo suprimento de energia da maioria dos planetas. Quando as pessoas visitam observatórios as perguntas mais comuns que surgem a respeito do Sol são: o que é o Sol e como ele funciona? Do que ele é feito? veremos alguns dados curiosos a respeito do Sol:

O Sol só é uma estrela por causa da grande quantidade de massa que ele tem, 332 959 vezes a massa da Terra.
Ele é constituído, principalmente dos gases hidrogênio e hélio, os dois gases mais leves que temos. Quando se diz que o Sol tem quase 98% de gases a pergunta mais comum que aparece é: como é possível o Sol ter tanta massa, ser tão grande sendo formado de gases?


Bem, essa é uma longa história e que nem mesmo os cientistas que estudam o Sol e outras estrelas sabem explicar exatamente como acontece, mas uma coisa eles sabem: Antes de existir o Sol e os planetas o que existia no lugar do sistema solar era uma enorme nuvem de gases e poeira muito maior que o sistema solar. Os gases são os que conhecemos: oxigênio, nitrogênio e principalmente hidrogênio e hélio; a poeira são todos os outros elementos químicos; ferro, ouro, urânio, etc... mas, a grande parte dessa nuvem era o hidrogênio e o hélio. Por algum motivo que ainda não é bem explicado essa nuvem encontrou condições para se aglomerar, se juntar em pequenos blocos, esses blocos começaram a se juntar em blocos cada vez maiores. Um desses blocos, o que se formou primeiro, no centro da nuvem, ficou tão grande e pesado que sua força gravitacional tornou-se suficiente para reter os gases com muita facilidade. Esse bloco aumentou tanto de tamanho e massa que acabou por se transformar numa estrela: o Sol. Os blocos menores que se formaram ao redor do bloco central deram origem aos planetas. CUIDADO!


Muitas pessoas pensam que os planetas são pequenas bolhas expelidas pelo Sol. Isso porque os cientistas do passado pensavam assim. Hoje em dia sabe-se que isso não é verdade. A teoria da nuvem de gás e poeira é a mais aceita entre cientistas atuais.



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ASTRONOMIA VERSUS ASTROLOGIA

(Doze ‘flósofos pagãos’ e suas conjunções planetárias, ilustração de um antigo manuscrito sobre astrologia)


O movimento dos astros influencia nosso dia-a-dia?


Há alguma evidência científica de que os astros podem revelar aspectos ocultos de nossa personalidade ou influenciar nosso comportamento, cotidiano e destino?
A astrologia pode ser considerada uma ciência, no sentido moderno dessa palavra?
É possível testar, sob condições controladas, as previsões feitas por horóscopos e mapas astrais? Se sim, o que dizem os resultados desses experimentos?
Essas são algumas das perguntas que um astrônomo se propõe a responder neste artigo, que faz parte da série ‘Ano Internacional da Astronomia’.


Astronomia versus astrologia


O ato de olhar o céu e buscar simbolismos e associações é algo intrínseco ao ser Humano e ocorre há milênios. Essa busca vem do tempo em que pouco se conhecia sobre o comportamento da natureza e no qual o animismo era uma tentativa de compreender e domesticar o desconhecido. Muitas culturas antigas têm registros sistemáticos da esfera celeste que remontam a 2 mil anos antes da era cristã. Desde essa época, padrões de repetição de movimento e agrupamento de astros já eram conhecidos, levando à separação entre estrelas e planetas (‘astros errantes’) – na época, eram conhecidos apenas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.

A ideia de constelações também surgiu naturalmente, sendo que a idealização do que era ‘visto’ no agrupamento de estrelas sempre sofreu uma forte influência da mitologia local. Porém, ainda hoje, um fato acontece com vários de nós, astrônomos profissionais ou amadores: basta comentar sobre nossa profissão ou interesse pelos céus e rapidamente vem a pergunta: “E se eu te disser que sou Sagitário com ascendente em Touro?” É surpreendente que, mesmo neste início de século, um número enorme de pessoas ainda leva a sério uma crença que remonta a mais de dois milênios: a de que os astros influenciam
o cotidiano, o comportamento e o destino das pessoas.




(Em gravura de 1587, mulher dá à luz enquanto astrólogos examinam as constelações e fazem previsões sobre a criança)



Sem status científico


Astronomia e astrologia são palavras derivadas do grego. Nessa língua, astron significa ‘estrela’ e o sufixo nomos (escrito, em português, como ‘nomia’), ‘regra’ ou ‘lei’. A astronomia é a ciência que trata da constituição, posição relativa, movimento e, mais recentemente, dos processos físicos que ocorrem nos
Os fundamentos da astrologia foram estabelecidos pelos babilônios, por volta de 1500 a.C. A origem comum da astronomia e da astrologia remonta a essa época e, apesar de ambas se basearem no estudo dos astros, suas versões modernas são inteiramente distintas.
A astrologia baseia suas previsões no movimento relativo dos planetas do sistema solar, não fazendo uso da informação trazida pela radiação eletromagnética (ondas de rádio, infravermelho, luz visível, raios X etc.) emitida por eles. Praticantes e estudiosos da astrologia consideram-na uma linguagem simbólica, forma de arte, adivinhação ou até ciência, com capacidade de prever o futuro ou aspectos ocultos da personalidade. Os astrólogos defendem sua área de estudo com base na ideia de que a ciência moderna não entende o que eles dizem e que, mesmo sob teste, a astrologia será sempre avaliada segundo os paradigmas científicos, desconsiderando outras formas de testes e de pensamento.
Nossa ênfase neste artigo será a astrologia sob o ponto de vista da ciência, mas vamos aqui, ainda que brevemente, explicar as características básicas da astronomia. Esta é baseada em leis conhecidas da física, sendo que os resultados obtidos com base nessas leis deverão ser os mesmos para qualquer pessoa que conheça os métodos empregados no experimento, bem como as leis em questão. O estudo de astros distantes também é feito com base na radiação eletromagnética emitida por esses corpos celestes, incluindo ondas de rádio, micro-ondas, ultravioleta, raios X e raios gama. Isso permite não só a reconstrução dos processos físicos que produzem essa radiação, mas também o estudo da estrutura e do estado evolutivo do astro.
Críticos da astrologia – incluindo a própria comunidade científica –, consideram-na uma forma de pseudociência ou superstição, devido à sua incapacidade de demonstrar o que afirma, o que até agora tem sido corroborado em grande número de estudos científicos controlados. Por sua vez, astrólogos contestam testes propostos pela ciência para validar a astrologia nesse sentido. E, quando não se recusam a participar deles, rejeitam seus resultados, apesar de estes serem baseados em testes estatísticos e em leis da natureza amplamente validadas. Portanto, como a astrologia não se enquadra no paradigma do que é entendido como ciência, ela perde o direito de reivindicar esse status quando lhe é conveniente.


Breve histórico


A observação e nomenclatura dos céus, adotadas até hoje pela civilização ocidental, remontam aos babilônios, egípcios, gregos e romanos. Pode-se dizer que a primeira grande sistematização do estudo dos céus com fins astrológicos está em Tetrabiblos, texto escrito pelo astrônomo greco-egípcio Claudius
Ptolomeu, que viveu no século 2 a.C.. Essa obra, dividida em quatro livros, sistematiza e propõe explicações para o modelo geocêntrico (aquele em que a Terra é o centro do universo), defendendo-o com hipóteses que duraram cerca de 1,5 mil anos – vale ressaltar que o modelo geocêntrico é a base do princípio astrológico.

Tetrabiblos é também um tratado de astrologia, talvez o mais importante da Antiguidade. Seu ‘Livro I’ afirma que as influências dos corpos celestes são inteiramente físicas e, nos ‘Livros III’ e ‘IV’, descreve como os céus interferem nas atividades humanas Doze ‘filósofos pagãos’ e suas conjunções planetárias, ilustração de um antigo manuscrito sobre astrologia.
A contrapartida astronômica de Tetrabiblos é Almagesto, também de Ptolomeu, um grande tratado sobre astronomia com 13 livros.

Na Idade Média, com sua atmosfera de intensa religiosidade, a possibilidade de fazer e verificar previsões baseadas nos astros era questionada. O padre e filósofo católico Aurélio Agostinho (354-430) – mais conhecido como Santo Agostinho – levantou o famoso problema do “fatalismo astrológico”, um arrazoado no qual argumentava que, “se o futuro já estava previsto por Deus, ou pela influência previsível dos movimentos planetários, para todos, como poderiam ser livres os humanos”? A resposta, dada por ele mesmo, apontava para a “sugestão, mas não obrigação”, de que seguir as estrelas e as orações ajuda a resistir aos desvios...

Nessa época, eram conhecidos três tipos de astrologia, descritos pelo filósofo francês Nicolas Ores me (1320-1382), crítico da astrologia e astrônomo ‘mecanicista’ da corte de Carlos V:

i) a astrologia matemática (ou astronomia);
ii) astrologia natural (relacionada com a física);
iii) a astrologia espiritual (ligada à previsão do futuro e à elaboração de horóscopos).


Na Idade Média, portanto, já era feita uma diferenciação entre a astronomia e a astrologia. Até o final do Renascimento, a astrologia foi uma atividade essencialmente acadêmica, exercida inclusive por médicos. Por uma questão de justiça, deve ser sempre mencionado que o dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601), o alemão Johannes Kepler (1571-1630) e o italiano Galileu Galilei (1564-1642), além de cientistas (no sentido moderno do termo), foram também competentes astrólogos nos sentidos ‘i’ e ‘ii’ do parágrafo anterior. Kepler, porém, foi um crítico ferrenho da astrologia divinatória.

No século 17, o interesse acadêmico pelo prognóstico astrológico transferiu-se para a nova medicina e para a meteorologia, e, nessa época, a astrologia saiu da academia, estimulando novamente o aparecimento do tipo de astrólogo usualmente conhecido na Antiguidade, mais dedicado às práticas divinatórias. Em linhas gerais, esse é o quadro que permanece até os dias de hoje.



Situações para se pensar


Em 1990, João Braga, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos (SP), e o autor deste artigo escreveram um artigo apresentando questões ligadas à previsibilidade astrológica que devem nos fazer pensar sobre os fundamentos dessa pseudociência. Por exemplo, qual é a probabilidade de que 1/12 da população da Terra esteja tendo o mesmo tipo de dia? Mesmo levando em conta todos os detalhes astrológicos (ascendentes, quadraturas, oposições etc.), os horóscopos deveriam apresentar alguma semelhança, pois o signo ‘solar’ é a principal referência. Uma simples divisão mostra que, nesse caso, as mesmas previsões seriam, ainda que superficialmente, adequadas a cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo, todos os dias!

A seguir, algumas dúvidas na forma de perguntas.

Estavam errados os horóscopos feitos antes das descobertas de Urano, Netuno e Plutão, ocorridas em 1781, 1846 e 1930, respectivamente? Deveríamos refazer esses horóscopos? Além disso, existe uma associação entre nomes de planetas, personalidades mitológicas e características astrológicas, portanto há que se pensar agora como nomear e incluir a influência dos mais de 300 planetas extrassolares descobertos desde 1995.
E quais objetos celestes devem ou não ser incluídos nas previsões? O astrônomo francês Jean-Claude Pecker lembra que os astrólogos parecem ter uma visão bastante curta, por limitarem sua atividade ao nosso sistema solar. Bilhões de corpos em todos os confins do universo poderiam somar a sua influência àquela proporcionada pelo Sol, pela Lua e pelos planetas. Será que uma pessoa cujo horóscopo omite os efeitos do pulsar do Caranguejo e de Andrômeda realmente recebe uma interpretação completa?

A distância até esses objetos é importante? Para a astrologia, parece que não. Por exemplo, mesmo que Saturno seja importante para caracterizar um mapa astral (e esteja fisicamente o mais próximo possível da Terra, em termos de suas órbitas), Marte e Vênus sempre estarão mais perto de nós do que
Saturno, independentemente de nossa posição relativa a eles. No entanto, a importância de ambos nas previsões é variável.

Essa discussão conduz a que tipo de força define as interações astrológicas. A força gravitacional está descartada, pois aquela exercida sobre a criança pelo médico que faz um parto é seis vezes maior do que a de Marte. Já a força de maré do médico é aproximadamente dois trilhões de vezes maior que a de
Marte. Deveríamos incluir a personalidade do médico no horóscopo, assim como incluímos as características de Marte?

Como as influências astrológicas parecem não depender completamente da distância entre os cor-pos, isso traz a questão de que tipo de força é essa, não detectada, até agora, por nenhum experimento, em nenhum laboratório, terrestre ou espacial.



(Ilustração de Andreas Cellarius publicada em 1660/1661, em Amsterdã, mostrando o planisfério celeste com os signos do zodíaco)

domingo, 16 de agosto de 2009

Astronomia versus Astrologia



O movimento dos astros influencia nosso dia-a-dia?






Há alguma evidência científi ca de que os astros podem revelar aspectos ocultos de nossa personalidade ou infl uenciar nosso comportamento, cotidiano e destino? A astrologia pode ser considerada uma ciência, no sentido moderno dessa palavra? É possível testar, sob condições controladas, as previsões feitas por horóscopos e mapas astrais? Se sim, o que dizem os resultados desses experimentos? Essas são algumas das perguntas que um astrônomo se propõe a responder neste artigo, que faz parte da série ‘Ano Internacional da Astronomia’.









O ato de olhar o céu e buscar simbolismos e associações é algo intrínseco ao ser humano e ocorre há milênios. Essa busca vem do tempo em que pouco se conhecia sobre o comportamento da natureza e no qual o animismo era uma tentativa de compreender e domesticar o desconhecido. Muitas culturas antigas têm registros sistemáticos da esfera celeste que remontam a 2 mil anos antes da era cristã. Desde essa época, padrões de repetição de movimento e agrupamento de astros já eram conhecidos, levando à separação entre estrelas e planetas (‘astros errantes’) – na época, eram conhecidos apenas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.A ideia de constelações também surgiu naturalmente, sendo que a idealização do que era ‘visto’ no agrupamento de estrelas sempre sofreu uma forte influência da mitologia local. Porém, ainda hoje, um fato acontece com vários de nós, astrônomos profissionais ou amadores: basta comentar sobre nossa profissão ou interesse pelos céus e rapidamente vem a pergunta: “E se eu te disser que sou Sagitário com ascendente em Touro?” É surpreendente que, mesmo neste início de século, um número enorme de pessoas ainda leva a sério uma crença que remonta a mais de dois milênios: a de que os astros influenciam o cotidiano, o comportamento e o destino das pessoas.






Sem status científico






Astronomia e astrologia são palavras derivadas do grego. Nessa língua, astron significa ‘estrela’ e o sufixo nomos (escrito, em português, como ‘nomia’), ‘regra’ ou ‘lei’. A astronomia é a ciência que trata da constituição, posição relativa, movimento e, mais recentemente, dos processos físicos que ocorrem nos astros (neste último caso, sendo denominada a ciência moderna não entende o que eles dizem e que, mesmo sob teste, a astrologia será sempre avaliada segundo os paradigmas científicos, desconsiderando outras formas de testes e de pensamento.Nossa ênfase neste artigo será a astrologia sob o ponto de vista da ciência, mas vamos aqui, ainda que brevemente, explicar as características básicas da astronomia. Esta é baseada em leis conhecidas da física, sendo que os resultados obtidos com base nessas leis deverão ser os mesmos para qualquer pessoa que conheça os métodos empregados no experimento, bem como as leis em questão. O estudo de astros distantes também é feito com base na radiação eletromagnética emitida por esses corpos celestes, incluindo ondas de rádio, micro-ondas, ultravioleta, raios X e raios gama. Isso permite não só a reconstrução dos processos físicos que produzem essa radiação, mas também o estudo da estrutura e do estado evolutivo do astro.Críticos da astrologia – incluindo a própria comunidade científica –, consideram-na uma forma de pseudociência ou superstição, devido à sua incapacidade de demonstrar o que afirma, o que até agora tem sido corroborado em grande número de estudos científicos controlados. Por sua vez, astrólogos contestam testes propostos pela ciência para validar a astrologia nesse sentido. E, quando não se recusam a participar deles, rejeitam seus resultados, apesar de estes serem baseados em testes estatísticos e em leis da natureza amplamente validadas. Portanto, como a astrologia não se enquadra no paradigma do que é entendido como ciência, ela perde o direito de reivindicar esse status quando lhe é conveniente.




Doze ‘filósofos pagãos’ e suas conjunções interplanetárias, ilustração de um antigo manuscrito sobre astrologia.



Breve histórico


A observação e nomenclatura dos céus, adotadas até hoje pela civilização ocidental, remontam aos babilônios, egípcios, gregos e romanos. Pode-se dizer que a primeira grande sistematização do estudo dos céus com fins astrológicos está em Tetrabiblos, texto escrito pelo astrônomo greco-egípcio Claudius Ptolomeu, que viveu no século 2 a.C.. Essa obra, dividida em quatro livros, sistematiza e propõe explicações para o modelo geocêntrico (aquele em que a Terra é o centro do universo), defendendo-o com hipóteses que duraram cerca de 1,5 mil anos – vale ressaltar que o modelo geocêntrico é a base do princípio astrológico.Tetrabiblos é também um tratado de astrologia, talvez o mais importante da Antiguidade. Seu ‘Livro I’ afirma que as influências dos corpos celestes são inteiramente físicas e, nos ‘Livros III’ e ‘IV’, descreve como os céus interferem nas atividades humanas






segunda-feira, 20 de julho de 2009

OLHOS GIGANTES PARA O CÉU




Uma nova era

Por séculos, os humanos estudaram a posição e o movimento dos astros, especulando sobre sua organização e sua natureza, com o auxílio somente de seus olhos e de instrumentos que serviam como pontos de referência para as posições celestes. No início do século 17, essa situação estava prestes a mudar radicalmente. Em 1609, o físico e astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642) – nessa época, catedrático de matemática na Universidade de Pádua – realizou, pela primeira vez, observações astronômicas com o auxílio de um telescópio (que ele batizou perspicillum) e registrou suas descobertas nos meses e anos que se seguiram.
Estava iniciada uma revolução que se estende aos dias de hoje: a era da astronomia impulsionada por instrumentos astronômicos.
Neste ano, em que comemoramos 400 anos desse importante feito científico e tecnológico de Galileu, é impossível separar as grandes descobertas astronômicas do desenvolvimento de telescópios e instrumentos, que têm sido nossos olhos para investigar desde os planetas vizinhos até quasares, corpos celestes que habitam os limites do universo observável.
Mas, de mesma forma que se aprofundam nosso conhecimento sobre o universo e se amplia nosso horizonte de pesquisa, aumenta também a necessidade de enxergar objetos mais fracos e mais distantes, com mais detalhes. E, por isso, os países do mundo se unem em parceiras para construir equipamentos cada vez mais complexos e surpreendentes.

Fotografia em cena

Como olho humano foi a principal ferramenta de registro das observações astronômicas desde seu início até a metade do século 19, não é surpresa que os maiores desenvolvimentos tenham sido em telescópios ópticos.
Por volta de 1670, o físico inglês Isaac Newton (1643-1727) construiu um telescópio de 10 cm de diâmetro, usando o principio de reflexão em espelhos, para observar a imagem, em uma montagem que até hoje leva seu nome. A partir daí, iniciou-se uma corrida pela construção de espelhos cada vez maiores e melhores, possibilitando dois séculos de incríveis avanços na astronomia.
Na década de 1840, pouco depois das primeiras demonstrações públicas da fotografia na França, astrônomos ingleses e franceses testavam a fotografia astronômica, com câmaras acopladas aos telescópios. Desse momento em diante, o olho humano estava aposentado como ferramenta científica em astronomia, sendo então substituído por equipamentos que registravam e variações do brilho dos objetos celestes com muito mais eficiência e precisão.

Prisma, lentes e anteparo

A fotografia foi aposentada na astronomia nas décadas de 1970 e 1980. Atualmente, a instrumentação periférica acoplada aos telescópios e os sensores eletrônicos, como os detectores ópticos CCD e detectores de infravermelho, são tão importantes quanto os telescópios em si e recebem a mesma atenção (às vezes, até mais) que a construção e o planejamento destes últimos. Com câmaras digitais e equipamentos para medir propriedades da radiação eletromagnética (fotômetros e espectrógrafos), os astrônomos retiram o máximo de informação da luz vinda dos objetos cósmicos.
Para termos uma ideia da complexidade dos instrumentos astronômicos em construção e em planejamento hoje, o espectrógrafo construído em 1814, pelo alemão Joseph von Fraunhofer (1787-1826), utilizado para estudar propriedades da luz solar (chamadas linhas escuras do espectro solar), continha um pequeno prisma de vidro, algumas lentes e um anteparo onde a imagem era vista. Neste início de século, o espectrógrafo WFMOS (sigla, em inglês, para Espectrógrafo Multiobjeto de Campo Amplo), planejado em conjunto pelos observatórios Gemini e Subaru, vai poder observar 2,4 mil objetos simultaneamente. Isso será feito por meio de cabos de fibras ópticas de 60 m de comprimento, planejados pela equipe do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), do Ministério da Ciência e Tecnologia (ver ‘Instrumentação verde-amarela’). Esse sistema levará a luz a dois espectrógrafos com dezenas de elementos ópticos e milhares de partes mecânicas. O projeto terá um custo aproximado de US$ 50 milhões (cerca de R$ 120 milhões), praticamente a metade do custo de cada telescópio de 8 m, como o Gemini ou o Subaru.




Vista do local da instalação do telescópio SOAR com as bandeiras dos parceiros do projeto



Os Gigantes dos Espelhos

A corrida pela construção de espelhos cada vez maiores e mais sofisticados culminou na classe de telescópio de 8m a 11m em operação hoje, como os dois telescópios Gemini, de 8m cada (dos quais o Brasil é parceiro, sendo que um deles fica no Havaí e outro no Chile); os dois telescópio Keck, de 10m de diâmetro cada (com espelhos segmentados), no Havaí (Estados Unidos); os quatro telescópios do VLT do observatório Meridional Europeu (ESO), com 8m cada; o Telescópio Hobby-Eberly, de 11m; o Grande Telescópio Sul-Africano, também de 11m; e o telescópio Subaru (8m), também no Havaí.


O que é o Telescópio SOAR - (SOuthern Astrophysical Research Telescope)?

O telescópio tem abertura de 4,2 metros, projetado para produzir imagens de qualidade melhor que as de qualquer outro observatório do mundo em sua categoria.
Foi financiado por um consórcio com os seguintes parceiros: Brasil (representado pelo CNPq), o National Optical Astronomy Observatory (NOAO), a Universidade da Carolina do Norte (UNC) e a Universidade Estadual de Michigan (MSU). O SOAR estará sendo inaugurado em 17 de abril e deverá iniciar a operação de coleta de dados cientícos de rotina no segundo semestre de 2004.
Está situado em Cerro Pachón, uma montanha dos Andes Chilenos com altitude de 2.700 metros acima do nível do mar. O telescópio e sua cúpula esférica branca estão localizados a algumas centenas de metros do seu vizinho, o telescópio Gemini Sul com espelho de 8,1 metros de diâmetro, de onde pode-se avistar Observatório de Cerro Tololo.

Relevância

O Brasil já participa de outro consórcio internacional, o Observatório Gemini atualmente em operação. Foram construídos telescópios gêmeos de 8,1 metros de diâmetro cujas instalações se localizam nos Andes Chilenos e no Havaí. O número de noites a serem utilizadas nestes telescópios é proporcional à parcela de contribuição de cada participante na construção/ operação, cabendo ao Brasil 8 noites em cada telescópio. Estes instrumentos permitem observações de alta qualidade, mas apenas alguns projetos podem ser contemplados com esse tempo, escolhidos dentre a grande demanda existente. O Brasil conta com alguns telescópios de 60 centímetros e um telescópio de 1,6 metros em território nacional, que vem atendendo a comunidade astronômica brasileira desde 1980, mas que não são adequados para muitos dos projetos observacionais de interesse de nossos pesquisadores e alunos de pós-graduação, e que sofrem de excesso de demanda a vários anos . A Astronomia Brasileira vem crescendo continuamente a uma taxa de cerca de 10% ao ano e há a necessidade urgente de expansão, através da criação de novos grupos de pesquisa no país, a serem liderados pelos pesquisadores ora em formação e que receberão vigoroso impulso com a concretização do SOAR . O Telescópio SOAR certamente preencherá a lacuna existente entre o telescópio de 1,6 metros, que se localiza em Brazópolis/MG no Pico dos Dias e os telescópios Gemini, suprindo a comunidade com um instrumento de porte intermediário extremamente versátil, rápido, de ótica soberba e localizado em local privilegiado.


Telescópio Gigante Magalhães
Concepção artística

Mais imagens no link: http://www.lna.br/soar/fotos_hist.html

terça-feira, 14 de julho de 2009

Após 105 dias, termina isolamento que recria missão em Marte



Após 105 dias, chegou ao fim nesta terça-feira (14 de Julho de 2009) o isolamento que recria as condições de um voo tripulado para Marte. No total, seis voluntários, sendo quatro russos, um francês e um alemão, participaram da missão, que aconteceu em Moscou, na Rússia. As portas do módulo de teste foram abertas às 07h (Horário de Brasília).
"A experiência foi um sucesso", declarou o comandante da expedição de teste, Sergei Ryazansky, aos seus superiores da agência espacial russa Roskosmos. Depois de deixaram o
módulo, os voluntários foram levados para fazer exames médicos.
O objetivo do experimento era estudar os efeitos psicológicos e fisiológicos de um longo período de isolamento. O teste recriou as condições exatas de uma missão real a Marte,
incluindo um pouso na superfície marciana, lentidão de 20 minutos na comunicação com a base, além de situações de emergência inesperadas.
Durante os três meses de teste, os seis voluntários viveram em uma instalação de 550 metros cúbicos, com cômodos individuais de, no máximo, 3,2 metros quadrados.


Desde que a cápsula foi fechada, em 31 de março, as únicas possibilidades de deixar o módulo eram em caso de doença ou outros fatores que pudessem forçar um voluntário a
abandonar a experiência. No entanto, todos eles conseguiram chegar até o final do programa sem maiores problemas.
"Nenhum de nós pode negar que estava ansioso para voltar à vida normal, mas todos nós também teremos recordações espaciais dos meses passados como um evento extraordinário e um
desafio superado com sucesso em nossas vidas", afirmou o alemão Oliver Knickel, em um registro final no diário de bordo.
A próxima etapa do programa está prevista para o final do ano e consistirá em fechar seis pessoas no módulo durante 520 dias, duração total estimada de uma missão a Marte.
Segundo a ESA (Agência Espacial Européia, na sigla em inglês), um voo de ida de ida e volta da Terra a Marte deverá ser realizado somente em 2030 e levaria perto de 520 dias:
250 para a ida, 30 no local e 240 para a volta.
A distância entre o Planeta Vermelho e a Terra varia entre 55 e mais de 400 milhões de quilômetros.

domingo, 14 de junho de 2009

Vídeo - A Via Láctea

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No magnífico cenário que é o céu visto a olho nu de um local sem a poluição (luminosa principalmente) característica das grandes cidades, destacam-se por suas belezas; a Lua e uma tênue faixa luminosa que corta o céu de fora a fora - a Via Láctea.
Na nossa civilização, o nome Via Láctea vem dos gregos antigos, que a viam como um "caminho de leite" no céu [Há um texto que conta a lenda grega sobre a Via Láctea que se encontra no mês de Janeiro de 2009 no nosso blog]. É encontrada nas mais diversas culturas com os mais diversos nomes. Os índios Tembé (sul do Pará) a chamam de "Caminho da Anta"; por exemplo.


No início do século XVII, com a invenção do telescópio, vimos que a luz da Via Láctea consiste da luz "misturada" emitida por um número muito grande de estrelas. Quanto maior o telescópio utilizado, mais estrelas são vistas (individualizadas) nessa faixa do céu.
Hoje sabemos que essa faixa é a visão que temos de nossa própria galáxia, vendo-a por dentro. Galáxias são os agrupamentos imensos nos quais se reúnem as estrelas (e entre elas muito gás e poeira).

Adotamos o nome Via Láctea para a nossa galáxia. Ela é do tipo espiral. Sua forma é denunciada pelo grande acúmulo de estrelas em um plano (o plano da faixa luminosa que vemos no céu). Não podemos ver distante ao longo do plano da Via Láctea, devido à grande quantidade de poeira aí existente.O tamanho de nossa galáxia e a localização do Sol, entretanto, são conhecidos há quase 80 anos. Isso foi possível observando aglomerados estelares (globulares) que se distribuem fora do plano da galáxia. Estimamos que a Via Láctea possui entre 200 e 250 bilhões de estrelas.

Vejam o vídeo sobre esse assunto no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=w04w7JRCKME Vídeo de Portugal

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Bombardeio de meteoritos pode ter estimulado vida na Terra, sugere estudo


Da BBC Brasil 21/05/2009 - 11h20



Quando meteoritos de vários tamanhos bombardearam a Terra há 3,9 bilhões de anos, aquecendo a superfície do planeta e provocando a evaporação de oceanos, elas podem, ao contrário do que muitos cientistas supunham, ter ajudado a estimular o surgimento de vida no planeta, de acordo com um novo estudo da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos.
O novo estudo mostra que o bombardeio teria derretido menos de 25% da crosta terrestre, e que micróbios podem ter sobrevivido em um habitat subterrâneo, isolados da destruição.
E o intenso calor do impacto, segundo o estudo, criou um habitat que estimulou a reprodução de bactérias formadas por uma só célula que são termófilas e hipertermófilas - capazes de sobreviver a temperaturas de 50 a 80 graus Celsius ou de até 110 graus Celsius.


Simulação

A descoberta foi feita através de uma simulação de computador. Como as evidências físicas do bombardeio de asteroides foram apagadas pelo tempo e pela ação de placas tectônicas, os pesquisadores usaram dados das rochas lunares recolhidas pelas missões Apollo, e registro de impacto de meteoros na Lua, Marte e Mercúrio.
"Até sob as condições mais extremas que nós impusemos (na simulação), a Terra não teria sido completamente esterilizada pelo bombardeio", disse Oleg Abramov, um dos autores do estudo.
Ao invés disso, fissuras que expeliam água quente podem ter criado um santuário para esses micróbios que preferem ambientes de calor extremo.
O estudo, publicado na revista "Nature", sugeriu também que a vida na Terra pode ter começado 500 milhões de anos mais cedo do que se pensava.
"Não é pouco razoável sugerir que havia vida na Terra há mais de 3,9 bilhões de anos", disse Stephen Mojzisis, que também participou do estudo. "Nós sabemos de registros geoquímicos que nosso planeta era habitável naquela época."

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Após reparos, astronautas do Atlantis se despedem do Hubble


Da EfeEm Washington



Os sete astronautas do ônibus espacial Atlantis se despediram hoje do telescópio orbital Hubble que, uma vez reparado, passará a capturar imagens ainda mais impressionantes das profundezas do Universo.
Após uma série sem precedentes de cinco dias de trabalhos externos a 563 quilômetros da Terra, os astronautas liberaram o Hubble às 9h57 (Brasília), quando a nave cumpria sua órbita 119 sobre o Atlântico, se aproximando do litoral da África.
Cerca de duas horas antes, o comandante do Atlantis, Scott Altman, manobrou a nave para a orientação correta de modo a soltar o observatório, de 13 toneladas.
Depois, foi dada a ordem para a abertura da porta do telescópio, que protege os instrumentos extremamente sensíveis, a fim de permitir que a luz das estrelas apareça nas lentes.
E após essa operação, a especialista de missão Megan McArthur manobrou o braço robótico do Atlantis deixando o telescópio acima da nave antes de soltá-lo.
O telescópio, posto em órbita há 19 anos, ficou erguido no bagageiro do Atlantis, a última nave que o visita para consertos e manutenção, enquanto os astronautas trocavam baterias, limpavam mecanismos e instalavam aparelhos que melhorarão sua capacidade de observação cósmica.
"A missão foi extremamente interessante", disse o comandante do "Atlantis", Scott Altman depois que na segunda-feira se completaram os trabalhos, com um custo de US$ 220 milhões, que incluíram a colocação de novos instrumentos no observatório espacial.
Perto de 45 minutos depois da liberação do Hubble, a nave começou a se afastar do telescópio, caminho de uma órbita a aproximadamente 385 quilômetros da Terra, para onde Altman e seus seis companheiros retornarão.
O Atlantis fez a quinta missão de nave para trabalhos no Hubble, que foi também a última do tipo. A Nasa (agência espacial americana) retirará de serviço no próximo ano sua frota de ônibus espaciais inaugurada em 1981, e cuja história, além de muitos sucessos, inclui também dois acidentes e 14 astronautas mortos.
Para realizar os trabalhos no Hubble, o Atlantis orbitou a 27.000 km/h, muito acima da faixa em que permanece a Estação Espacial Internacional (ISS).

sábado, 25 de abril de 2009

Espetáculo de galáxias marca os 19 anos do Hubble


Para comemorar os 19 anos do Hubble, a Nasa (agência espacial americana) e a Agência Espacial Europeia divulgaram uma série de imagens feitas pelo telescópio espacial que mostram um incomum sistema interligado de galáxias.


O sistema, que recebeu a designação Arp194, engloba várias galáxias e um rastro azul de estrelas, gás e poeira que se estende por mais de 100 mil anos-luz.
Os núcleos de duas galáxias podem ser vistos no topo da imagem durante o processo de fusão. A brilhante causa azulada que surge no meio das duas é composta de várias estrelas recém-nascidas. O fenômeno geralmente ocorre quando duas galáxias se chocam.
A cauda azul parece conectar uma terceira galáxia, na parte de baixo, mas esta se localiza de fato ao fundo e não está relacionada com o sistema.
A ilusão ocorre por causa do alto poder de resolução das imagens do Hubble.
Localizada na constelação de Cepheus, o Arp194 está distante cerca de 600 milhões de anos- luz da Terra e é um dos vários sistemas conhecidos de galáxias que se mesclam e fundem.
As imagens foram feitas em janeiro de 2009 utilizando filtros azuis, verdes e vermelhos simultaneamente.
O Hubble foi lançado no espaço pela Nasa no dia 24 de abril de 1990. Desde então já captou mais de 570 mil imagens de 29 mil corpos celestes.

sábado, 14 de março de 2009

400 anos olhando para o céu


Escolhido como o Ano Internacional da Astronomia, 2009 celebra o aniversário de quatro séculos da primeira observação celeste com luneta, feita por Galileu Galilei, em 1609. Para celebrar a data, o Palazzo Strozzi de Florença apresenta uma mostra dedicada ao matemático e físico italiano que mudou a forma de a humanidade olhar para o céu.

Com o nome de Universo de Galileu – Imagens do cosmos da Antigüidade ao telescópio, a exposição propicia uma viagem ao visitante. Começa apresentando a visão mística e poética do céu do Antigo Egito e da Mesopotâmia. Prossegue com a cosmogonia grega, o modelo geocêntrico de Cláudio Ptolomeu (século 2 d.C.) e a astronomia árabe. Outro ponto de parada é o surgimento da teoria heliocêntrica, ou seja, de que a Terra girava em torno do Sol, de Nicolau Copérnico (1473-1543), com o apoio de Galileu e de Johannes Kepler (1571-1630). O fim da viagem descortina Isaac Newton (1642-1727) e sua nova concepção do Universo.

Leia o livro Commentariolus (Pequeno Comentário de Nicolau Copérnico sobre suas próprias hipóteses acerca dos movimentos celestes):

Galileu não inventou a luneta, mas foi quem teve a intuição de apontar o instrumento para o céu e observar os astros. Suas descobertas foram reveladas em um pequeno livro, Mensageiro das estrelas, publicado em 1610, que o transformou em pai da ciência moderna.

A única luneta original que pertenceu a Galileu existe até hoje e é um dos destaques da exposição, que conta com 300 objetos, entre peças arqueológicas, instrumentos científicos, desenhos, pinturas, afrescos, esculturas, relógios astronômicos e atlas celestiais.


Por Graziella Beting (jornalista e tradutora).

sábado, 7 de março de 2009

Nasa lança sonda em busca de planetas similares à Terra


A Nasa lançou, na noite dessa sexta-feira, a sonda Kepler, que partiu de Cabo Canaveral, na Flórida, em busca de planetas similares à Terra. "Esta missão quer responder a uma pergunta que é tão antiga quanto o tempo: existem outros planetas como o nosso por aí?", disse o administrador do diretório de missões da Nasa, Ed Weiler.

A Kepler está equipada com um potente telescópio para observar, durante três anos, cerca de 100 mil estrelas na zona das constelações de Cygnus e Lyra, na Via Láctea. Os investimentos chegam a quase US$ 600 milhões.

O telescópio buscará planetas que não sejam quentes ou frios demais, nem muito rochosos e que tenham água em estado líquido, ou seja, condições essenciais para a existência de vida, explicou o principal cientista do projeto Kepler, William Borucki.

Segundo o diretor da divisão de astrofísica da agência espacial, Jon Morse, "o inventário de planetas que Kepler deve realizar será de grande importância para a compreensão da frequência de planetas na mesma categoria do tamanho da Terra em nossa galáxia".

A Nasa batizou o telescópio de "Kepler" em homenagem ao astrônomo alemão do século XVII Johannes Kepler, que descobriu que os planetas giram em torno do Sol em elipses e não em círculos perfeitos.

Desde 1995, 337 exoplanetas (exteriores ao nosso sistema solar) foram descobertos em torno de estrelas, mas são muito maiores que a Terra e estão em lugares ou condições que tornam impossível a existência de vida.

CoRot, o satélite franco-europeu lançado em dezembro de 2006 com a missão de buscar exoplanetas perto de 90 mil estrelas, descobriu no início de fevereiro o menor desta categoria, com o dobro do tamanho da Terra. Mas sua temperatura é extremamente elevada.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Via Láctea 'é maior do que se pensava', dizem cientistas


Da BBC Brasil

A nossa galáxia é muito maior do que se pensava, segundo um estudo apresentado nesta semana em um importante congresso de astronomia na Califórnia, nos Estados Unidos.


Os resultados indicam que a Via Láctea tem mais ou menos o mesmo tamanho que Andrômeda, considerada até hoje como a maior galáxia do nosso grupo local de galáxias.


O estudo também revelou que a nossa galáxia está se movendo a uma velocidade 15% maior do que se estimava.


Segundo os especialistas, por causa da massa maior, colisões futuras com galáxias próximas podem acontecer mais cedo do que o imaginado. O astrônomo Mark Reid, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (CfA), em Cambridge, nos Estados Unidos, e sua equipe usaram o sistema VLBA (Very Long Baseline Array) para calcular o tamanho e a velocidade da Via Láctea. O VLBA é formado por dez radiotelescópios espalhados pela América do Norte que, juntos, permitem um grau de resolução sem precedentes na astronomia.


Segundo o CfA, esse grau de resolução é tão grande que equivaleria a uma pessoa sentada em uma poltrona em Edimburgo, na Escócia, poder ler um jornal no Cairo, no Egito. Precisão ao usar o VLBA para medir o deslocamento aparente de regiões longínquas, formadoras de estrelas, quando a Terra está em lados opostos do Sol, os pesquisadores foram capazes de medir a distância até essas regiões com mais precisão do que em tentativas anteriores.


Reid e sua equipe apresentaram o estudo durante a 213ª conferência da American Astronomical Society (AAS), em Long Beach."Ao contrário de estudos anteriores, esses cálculos usam o método tradicional de investigação de triangulação e não dependem de quaisquer suposições baseadas em outras propriedades, como o brilho", disse um dos integrantes da equipe, Karl Menten, do Max Planck Institute for Radio Astronomy, de Bonn, na Alemanha. Os resultados indicam que a Via Láctea é cerca de 15% mais larga do que se pensava.


RotaçãoPequenas alterações na frequência das emissões de rádio que ocorrem porque as regiões estão se movendo dão aos pesquisadores uma estimativa de quão rápidamente a Via Láctea gira em torno de seu centro. Eles calculam que isso ocorra a uma velocidade de 914 mil km por hora, maior do que o valor estimado anteriormente, 792 mil km por hora. Esta velocidade, por sua vez, serviu como base para que os astrônomos calculassem a quantidade total de matéria escura presente na Via Láctea - a matéria escura é o componente invisível que forma a maior parte da massa da galáxia.


Os pesquisadores estimam que a Via Láctea tenha cerca de 50% mais massa do que se estimava, o que a equipara à galáxia Andrômeda. No passado, especialistas acreditavam que a Andrômeda, nossa galáxia vizinha, era a maior do nosso grupo. "Não vamos mais pensar na Via Láctea como a irmã pequena da galáxia Andrômeda", disse Reid. A massa maior aumenta a força da gravidade da Via Láctea, sugerindo que colisões com a Andrômeda e outras galáxias vizinhas podem acontecer muito antes do que se calculava - ainda assim, dentro de bilhões de anos.


noticiado em 06/01/2009 - 18h20

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Luas Misteriosas - Parte 02


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Fobos é uma das duas luas de Marte. Fobos é a maior e a mais próxima lua de Marte. Fobos foi descoberto por Asaph Hall em 18 de Agosto de 1877, justamente 6 dias após a descoberta de seu parceiro Deimos.

Fobos é, em todo o Sistema Solar, o satélite que orbita mais próximo do planeta-mãe: menos de seis mil quilômetros acima da superfície marciana. Encontra-se, por isso, abaixo da órbita síncrona para Marte. Por esse motivo, a sua órbita vai descendo a um ritmo de 1,8 m por século. Assim, dentro de 50 milhões de anos pode ocorrer uma de duas coisas: ou Fobos se despenha sobre Marte ou, o que é mais provável; antes que isso aconteça, as forças gravitacionais destruirão o satélite criando um anel à volta de Marte.

Os astrônomos supõem que o satélite era provavelmente um asteróide que foi capturado pela força de gravidade do planeta. A outra lua Deimos e também algumas luas de Netuno, acreditam-se também que eram asteróides que foram capturados.



LUAS DE JUPITER

Júpiter é o quinto planeta a partir do Sol, e é o maior no sistema solar. Se Júpiter fosse oco, poderia caber mais de mil Terras dentro. Ele também contém mais matéria que todos os outros planetas combinados. Ele tem uma massa de 1,9 x 1027 kg e tem 142.800 quilômetros (88.736 milhas) de diâmetro no equador. Júpiter possui 16 satélites, quatro dos quais - Calisto, Europa, Ganimede e Io - foram observados por Galileo em 1610. Existe um sistema de anéis, mas que é muito tênue, sendo totalmente invisível da Terra. (Os anéis foram descobertos em 1979 pela Voyager 1.) A atmosfera é muito profunda, talvez compreendendo todo o planeta, sendo em termos, parecido como o Sol. Ela é composta principalmente de hidrogênio e hélio, com pequenas quantidades de metano, amônia, vapor d'água e outros componentes. As grandes profundidades dentro de Júpiter, a pressão é tão grande que os átomos de hidrogênio são quebrados e seus elétrons são liberados de forma que os átomos resultantes consistem-se de simples prótons. Isto produz um estado no qual o hidrogênio torna-se metálico.

Maiores detalhes no site: http://astro.if.ufrgs.br/solar/jupiter.htm

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Luas Misteriosas - Parte 01

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Segundo a última contagem, mais de 150 luas povoam o sistema solar: Netuno é cercado por 13 delas; Saturno tem 48; Júpiter possui 62.
A Lua terráquea não é a maior de todo o sistema Solar - Titan, uma das luas de Saturno, tem o dobro de seu tamanho - mas é a maior em relação ao seu planeta. Com 1/4 do tamanho da Terra e 1/6 de sua gravidade, é o único corpo celeste visitado por seres humanos e onde a Nasa (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration) pretende implantar bases permanentes.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

MITOLOGIA - HERA E HERACLES (Hércules)


Outra alusão à seu antigo papel como Grande Deusa, se dá através de sua relação com o herói Heracles (Hércules). Seu nome significa "glória a Hera", e os doze trabalhos que a Deusa lhe impõe simbolizam os doze meses durante os quais o Sol "trabalha" em sua caminhada anual. Enquanto no relato Heracles empreende essas provas não por vontade própria, mas sim por imposição de Hera (em seu papel de Deusa Escura da Lua Minguante), a imagem de servo ou filho-amante da Deusa que o nome de Heracles implica sugere que o antigo ritual em que o Sol que se unia com a Lua Cheia, possivelmente se oculte atrás desse relato. Também, a imagem de Heracles como homem adulto mamando o peito de Hera, tal qual foi encontrado em um desenho de um espelho etrusco, recorda os faraós mamando nos peitos de Ísis em seu papel de filhos-amantes da Deusa.

A lenda que rodeia esse episódio conta que Zeus fez com que Hera caísse adormecida e Hermes colocou Heracles em seu peito, porém, como o herói, que era muito forte, a mordeu e a despertou e, enquanto a Deusa se sacudia, o leite se derramou pelo céu dando origem a Via - Láctea.

História da Astronomia


Texto resumido do livro "O que é Astronomia" de Rodolpho Caniato:

Grande Parte dos nomes, dos significados e lendas sobre as figuras formadas pelas estrelas têm sua origem entre os babilônios. É muito provável que a legendária Torre de Babel tenha sido um misto de templo e observatório.

Em quase todos os povos primitivos os conhecimentos astronômicos foram acumulados pelos sacerdotes. A eles cumpria o dever de observar e “saber” se os astros estavam “propícios”. Assim, junto com o primitivo conhecimento dos astros desenvolveu-se a interpretação do “destino” que os primitivos procuravam adivinhar nas posições e mais tarde no movimento dos astros. Nascia assim a Astrologia, que pode ser muito interessante como curiosidade ou como folclore da Astronomia. Não se deve, entretanto, confundir estas duas coisas.

Tanto a Astrologia e a Astronomia foram durante muito tempo (milênios) privilégio de oráculos e sacerdotes. O conhecimento dos fatos e suas interpretações sempre foram uma poderosa arma de pressão e de opressão. É fácil imaginar o que representava ser o único a saber da aproximação de um eclipse, por exemplo.
Na medida em que o homem se desenvolveu, ele percebeu que a Natureza, especialmente no reino vegetal, tinha um comportamento cíclico.

Às vezes faziam “alto”, isto é, paravam e passavam a fazer “marcha à ré”, para depois parar novamente e retornar seu caminho “à frente”. Coisas com comportamento tão especial por entre as estrelas só podiam ser deuses, e assim foram chamadas.
Os Babilônios tomaram então a iniciativa de transferir os seus deuses para o céu. Esse é um aspecto curioso e aparentemente único. Os deuses com os seus atributos e vontade foram localizados no céu. Daí por diante os babilônios passaram a observá-los diretamente, procurando interpretar suas vontades, tendências e ânimo pelas suas posições e movimentos no céu. Eles passaram mesmo a olhar “face a face” os seus deuses.
É ainda aos babilônios que se deve a criação do zodíaco, divisão do caminho do sol pelo céu em doze regiões, cada uma ocupada por uma figura sugerida pela configuração das estrelas.

PRIMEIROS MODELOS

Os gregos foram os grandes herdeiros modernos da astronomia dos babilônios. Os gregos acrescentaram, porém, a essa Astronomia, os seus deuses, bem como a sua desenvolvida geometria. Disso resultou uma Astrologia com um sabor de ciência em virtude das intrincadas relações de ângulos, triângulos e círculos, coisas que os gregos dominavam. (pág. 16 e 17).

É, porém, por volta de seis séculos antes de nossa era (século VI a.C.) que começaram a surgir as primeiras tentativas teóricas: os primeiros modelos. È entre os gregos, ao que se sabe, que surgem os primeiros argumentos, por exemplo, de que a Terra deveria ser esférica. A idéia de forma esférica da Terra foi introduzida no século VI a.C. por Tales e por seu discípulo Anaximandro.
Seria muito longo enumerar todas as contribuições feitas nesse período do apogeu da Grécia antiga e que foram as peças com que, no início da nossa era, montar-se-ia o grande modelo geocêntrico de Ptolomeu. Há, no entanto, alguns nomes nesse período pelos quais não podemos passar sem fazer, ao menos, rápida menção: Aristarco, Eratóstenes e Hiparco, pelos seus feitos importantes na Astronomia.

UM HEREGE: ARISTARCO

Aristarco propôs um revolucionário modelo heliocêntrico. Heliocêntrico significa um modelo em que o centro era ocupado pelo Sol (Helio) e não pela Terra.
Eratóstenes sabia que em certo dia do ano o sol, ao meio-dia, iluminava o fundo dos poços em Alexandria. Nesse mesmo dia, também ao meio-dia, o Sol não iluminava o fundo dos poços numa cidade ao sul de Alexandria. Medindo essa diferença de inclinação dos raios do Sol, Eratóstenes obteve o ângulo formado pelos fios de prumo dos dois lugares. Mas o fio de prumo é a direção do raio da terra em um lugar. Conhecer o ângulo formado pelos prumos de dois lugares significa conhecer o ângulo formado pelos raios da Terra nesses dois lugares: um ângulo central.

O GRANDE SISTEMA: PTOLOMEU

Todo o conhecimento acumulado pelos gregos sistematizado num só grande sistema montado por Ptolomeu. Isso ocorreu já no século II da nossa era. Ptolomeu foi realmente um grande gênio. Seu conhecimento era enciclopédico, a começar pela matemática, geometria e cartográfica.
Seu grande Sistema do Mundo compreendia a Terra imóvel no centro, envolvia por muitas esferas transparentes. Cada uma dessas esferas era responsável pelo movimento de cada um dos astros a partir do centro, nessa ordem: esfera da Lua, de Mercúrio, de Vênus, do Sol, de Marte, de Júpiter e de Saturno. Depois da esfera de saturno vinha a esfera das estrelas fixas.
Porém, essas esferas não eram suficientes para explicar o movimento irregular dos planetas. Ptolomeu admitiu então que sobre essas esferas não estavam exatamente os planetas. Sobre elas estariam outros centros ao redor dos quais o Planeta fazia outra volta enquanto a esfera girava: os epiciclos.
A ideia dominante no Sistema de Ptolomeu é que todos os movimentos aparentes, isto é, vistos da terra, deveriam ser explicados com base em círculos, esferas e movimentos uniformes, únicos ingredientes dignos de arquitetura do Universo.

Um aspecto curioso e típico desse período é que as concepções deviam, acima de tudo, ser frutos de um raciocínio ou de uma abstração, independente de sua relação com os fatos reais.
Além do mais, o Sistema do Mundo geocêntrico de Ptolomeu deixava o homem no centro do Universo, como obra-prima da criação. Isso também se ajustava a um Sistema de dominação que fazia o homem crer que seu grande destino e objetivo era ir para a Mansão Celeste que ficava além da esfera das estrelas fixas.

O PROFETA DO INFINITO: Giordano Bruno

Por toda a Europa Giordano Bruno andou, indo pregar suas ideias até nas Ilhas Britânicas.
É importante entender algo mais sobre esse brilhante e apaixonado filósofo-cientista italiano. Sua pregação baseava-se nas ideias de Copérnico; sobre o absurdo de se imaginar a Terra como centro do universo. Ele ia ainda muito além disso. Mesmo no Sistema Heliocêntrico de Copérnico, o Sol ocupava o centro de um Universo limitado e fechado dentro da esfera rígida das estrelas fixas. Giordano Bruno propõe: “o Sol está no centro do sistema dos planetas, mas o Sol também deve ser uma estrela, como essas das quais devem existir outros milhares ou milhões”. Para ele o céu das estrelas fixas não é uma esfera rígida, com estrelas crivadas em seu interior. Era aberto e ilimitado.

Essas ideias golpeavam não só a visão física do Universo, como também a concepção espiritual do homem e de sua salvação. Em lugar de obra-prima e centro do universo, o homem era relegado a minúsculo ser, habitante de um minúsculo planeta que, por sua vez, girava ao redor de uma estrelinha comum, que é o sol.

Cenas do Filme: